sexta-feira, 10 de junho de 2011

AÇÃO PODE PARAR OBRAS DE DEMOLIÇÃO


Machadão

Preparando Ação Popular contra a demolição

Foi protocolada ontem, junto à Justiça do RN, uma Ação Cautelar de Exibição de Documentos com Pedido de Liminar, para preparação de uma Ação Popular com objetivo de evitar a demolição do Estádio João Cláudio de Vasconcelos Machado, o Machadão, situado no bairro de Lagoa Nova, nesta capital.

A Ação Cautelar foi protocolada sob nº 0802583-07.2011.8.20.0001, em 09/06/2011, como preparatória da Ação Popular. Se acatada pelo juiz a quem couber o julgamento, as obras de demolição do estádio devem ser suspensas imediatamente.

Logo que o Tribunal encaminhe o processo a juiz de competência e disponibilizar à população os trâmites, traremos para os interessados o link para o seu acompanhamento por Internet.

MOACYR GOMES DA COSTA
84 anos de grandeza

Miranda Gomes
http://cmirandagomes.blogspot.com/

Primogênito da família, veio ao mundo em sete de junho de 1927, de parto laborioso, na gloriosa terra de Caicó, que contou com a assistência das mãos santas de “Mãe Quininha”, daí a herança da têmpera e determinação do seridoense.

Infância feliz, mas sem nenhuma fartura, o que lhe rendeu logo cedo, a busca do trabalho, com passagem pela Base Aérea Americana de Parnamirim. Terminada a II Guerra Mundial, com 18 anos apenas, foi até Penha, onde papai era Juiz e contou que estava desempregado e precisava buscar outras plagas – o Rio de Janeiro.

Após relutância, papai concordou e passou a deslindar o problema: arranjar dinheiro para a viagem e comprar uma passagem. Conseguiu 500 mil réis e foi até o seu amigo Ruy Paiva, gerente da Companhia Costeira de Navegação, propondo-lhe comprar a passagem de 3ª. Ruy protestou e disse que não admitia que o filho de um amigo viajasse nessa classe e lhe arranjou um camarote, dizendo mais que papai lhe pagaria quando e como pudesse.

Dessa forma Moacyr “pegou um Ita (Itanagé) e foi pro Rio morar”, levando os trocados que papai conseguiu e uma carta para o tio Luiz. Lá, quando chegou, já estava uma comitiva de amigos, dos quais recordo ele ter falado, dentre outros, em Armando e Aníbal Cavalcanti, Inácio Meira Pires, Uilon Cabral e o tio Luiz.

Neste particular vale relatar um acontecimento inusitado. No dia da partida (dia dos Reis Magos de 1946), papai veio de trem para Natal e foi levar Moacyr no Cais do Porto. Pelas 5 da tarde o navio zarpou. O velho não pôde evitar uma lágrima atrevida de saudade do filho.

Em alto mar e já com o cair da noite, surge uma avião fazendo razantes sobre o navio, atraindo todos para o convés. Parece que no navio estaria uma namorada do piloto. E, em dado momento, viu-se um clarão – o avião caiu e o Comandante deu ordem para procurar sobreviventes e realmente os encontrou – eram dois. Diante do quadro de gravidade, teve de voltar a Natal para deixá-los e somente zarpando no outro dia. Moacyr voltou para a casa de vovô onde papai estava dormindo. Bateu à porta e o velho assustou-se.

E tudo recomeçou até o embarque definitivo.

Na escola regular, se sobressaiu pelo seu traço nos desenhos ilustrados dos seus cadernos, o que atraiu a atenção da família, inclusive do Tio Luiz Gomes da Costa, já então consagrado engenheiro na Capital Federal, já falecido.

Desde então despontava como promessa de um futuro arquiteto, com a ajuda desse tio vencedor no Rio de Janeiro.

Na cidade maravilhosa rendeu-se às suas belezas, ao seu povo e à sua boemia. Conheceu muita gente boa e celebridades, deixando lembranças. Uma dessas personalidades foi Dinarte de Medeiros Mariz, cuja afinidade decorrera do fato de virem da mesma região, além da amizade com papai, que o trouxe de volta ao Rio Grande do Norte, dando-lhe várias incumbências e daqui não saiu mais.

Aliás, sobre Dinarte, constatei o fato marcante que tem muito a ver com Moacyr, pois quando mamãe corria risco de vida durante o seu parto, mãe Quininha, temerosa, procurou Dinarte e pediu ajuda e ele foi até Currais Novos e de lá trouxe o médico Mariano Coelho que resolveu o problema. Isso Moacyr soube do próprio Dinarte, o que esclarece a razão da grande amizade que papai lhe dedicava.

Apesar de “craque da prancheta”, com projetos divulgados até no exterior e apesar dos convites insistentes, optou pela vida pacata, feliz e romântica de Natal, o que curte até os dias presentes, prestigiado pela família e por amigos.

Moá, como carinhosamente o chamamos, não tem inimigos, pois perdoa a todos, inclusive os que procuram desmerecê-lo em algum jornal ou injustiçá-lo na administração pública, gestões próxima e remota. As paixões ocuparam uma boa parte de sua existência, tanto que custou a casar, mas quando o fez, acertou em cheio, completando-se com Iris, seus filhos José Neto, Flávio, Eduardo, Maria da Graça e seus netos Flavinho e Gabriel.

É o homem que desconhece o ócio, continua trabalhando, com o mesmo traço firme e idéias avançadas. Está na história da cidade de Natal, com pelo menos dois monumentos – o Estádio Machadão, cognominado de “Poema em Concreto Armado” pelo ex-governador Cortez Pereira

e o Pórtico da Cidade. Em relação ao primeiro, tem movido uma campanha lúcida e corajosa, porquanto a insensatez dos governantes anunciam a sua demolição, para em seu lugar erguer a “Arena das Dunas”, assunto que vem ocupando destaque nos noticiários da imprensa local e nacional.

No dia de hoje, 07 de junho de 2011, em que atinge os 84 de vida, fazemos esta singela homenagem, afirmando nossa gratidão e o orgulho por tudo o quanto você representa para a família e para a nossa terra potiguar.

Um grande abraço do irmão

Carlos Gomes

terça-feira, 7 de junho de 2011

O ASSASSINATO DO MACHADÃO

Foto: Rodrigo Sena TN

UM TRISTE ADEUS

Cypriano Maribondo


Chegou o dia do nosso triste adeus

Ao eterno Poema de Concreto Potiguar.

A ganância e a arrogância dos políticos

Resolveram ao MACHADÃO assassinar.


Não deram para ele nenhuma chance.

Sequer ouviram o nosso Dr. Moacir.

Não consultaram os milhões de potiguar,

Apenas o governo resolveu demolir.


Assim que a cruel sentença for executada,

O Esporte de Natal vai perder a sua história.

A beleza do Machadão, por todos, cantada

Ao cair, vai levar consigo, toda a sua glória.


Dos memoráveis tempos de alegrias e tristezas,

Com estádio cheio nos clássicos do nosso futebol,

Onde ABC, AMÉRICA e ALECRIM reinaram,

As bandeiras das torcidas brilhavam como o sol.


Dizem os defensores deste hediondo crime

Para haver Copa era necessária sua demolição.

Será construída a bela Arena das Dunas.

Um elefante branco, sem história, sem coração.


Tenho certeza que a Arena jamais receberá

Do torcedor Potiguar, sua paixão e seu amor.

Todos são fieis ao Poema de Concreto,

Contra a Copa que o Machadão derrubou.


Copa em NATAL é uma grande brincadeira:

Queremos salário, segurança, saúde e educação.

Mas o ego gigante dos nossos governantes

Só pensam em gastar milhões com ostentação.


Para que se gastar tanto, com esta Arena

Que de nada vai servir ao povo Potiguar.

São apenas três jogos para tanto dinheiro.

E eternamente fechada a Arena vai ficar.


Onde vão jogar o América e o Alecrim?

A Arena das Dunas vai ser particular.

Além de caro o aluguel que será cobrado,

O preço dos ingressos nós não podemos pagar.


Infelizmente será para nós “um triste adeus”

As saudades do Machadão nós vamos guardar.

Como protesto, jamais iremos, a Arena das Dunas.

Nosso Poema de Concreto, ela não substituirá!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

EM 15 DE FEVEREIRO DE 2009

Por obra e força de uma bola de futebol
Eduardo Alexandre Garcia

E se a Fifa aprova Natal como sede da Copa? A cidade vira um canteiro de obras.

O primeiro grande espetá¡culo não será um jogo. Será um gol. Contra. Um gol contra quando virão abaixo todas as edificações do Centro Administrativo, o Machadão, o Machadinho e a terra santa pisada por Sua Santidade o Papa Karol Wojtyla.

A cidade vai parar para ver o espetáculo da implosão. Tudo de uma vez: Bruuuuuuuuuuuuum! E a fumaça branca de poeira cobrindo Lagoa Nova, Candelária e derredores.

O cúmulo da insensatez para dar lugar ao belo projeto apresentado, assim, de repente, aos natalenses. Sem discussão, sem que um vereador ou deputado tenha emitido um parecer, dito uma palavra. Coisa caí­da das alturas, como chuva alvissareira que ninguém pode impedir de se derramar.

Ah, e tinha de ser ali! Tinha que ter a implosão de tudo, para que ficasse marcada na memória da cidade do já teve que tivemos um parque administrativo, um estádio de futebol e um ginásio coberto demolidos por obra e força de uma bola de futebol!

Não podia, o Complexo da Arena das Dunas, ser erguido em outro local, ali, bem próximo, entre a Candelária e a Cidade Satélite, sem que nada fosse destruí­do?

A cidade ganharia um outro estádio, um outro ginásio, um outro parque administrativo. E ninguém seria contra.

Vejo a perspectiva e recordo de minha infância, levado ao velho Juvenal Lamartine pelas mãos do meu pai desportista José Alexandre Garcia. Quantas conversas de sonhos ouvi, até ver o "Castelão" recebendo público para o primeiro jogo! Sonho de desportistas do quilate de um João Machado, Luí­s G. M. Bezerra, Aluí­sio Meneses, Humberto Nesi, Humberto Pignataro, tantos...

E recordo quando fomos presenciar o descerramento da pedra fundamental do estádio ainda sonho de todos aqueles desportistas. Uns loucos, a querer construir um estádio longe da cidade, mais para Parnamirim que para Natal!

E hoje a argumentação de ter de ser ali o Parque da Arena das Dunas é por ser central, com malha viária ideal, transporte fácil...

Não. O natalense não vai permitir que esse absurdo aconteça.

Que se erga o complexo em outro lugar, não destruindo o que já temos e que foi construí­do com tanto sacrifí­cio!

Tamanho absurdo, não!



sexta-feira, 3 de junho de 2011

Como se fossem heróis

ESTÁDIO DE FROUXIDÃO
VICENTE SEREJO

O amor próprio, Senhor Redator, não figura entre as nossas melhores qualidades. A fraqueza vem desde quando, ju­bilosos, recebemos os invasores servindo-lhes a rendição em finos toalhados da Bretanha diante dos índios da terra prisio­neiros. De lá pra cá, tem sido assim. Malgrado todos os heróis que envidamos ao longo de quatro séculos no estuário desse rio e na boca desse mar que nos tem engolido. A nós e aos nossos melhores sonhos de vida digna e justa, sem medo dos poderosos.

Basta dizer da tristeza que é a historia de Felipe Camarão, nosso índio Poti, posto e imposto que nos foi como um herói. Além da própria origem caída em dúvida - seria pemambucano da gema segundo viu e deu fé o grande Pereira da Costa na sua Última Verba, na arrimada erudição de José Antônio Gonçalves de Mello e reconhecida por Olavo de Medeiros Filho, e que acabou cooptado com a lisonja do título de Governador Geral dos Índios do Brasil, laurel oficial que nunca existiu.

De tudo, nos restou ao menos, e para que a nossa pobreza não fosse em vão, o gesto digno de Frei Miguelinho, nosso único herói. Sua coragem, soprada pela fé em Deus e na liberdade, ao lado dos insurretos de 1817, é a chama que nos resta. Migue­linho, o amigo de Frei Caneca, companheiro naquele Recife desse belíssimo Joaquim do Amor Divino, fuzilado num tribunal en­louquecido de poder, restando o corpo dilacerado, abandonado e frio, jogado às portas do convento das Carmelitas.

No mais, Senhor Redator, temos ídolos. E, se tanto, protago­nistas de espetáculos políticos, sociais e esportivos que enchem nossas platéias e os olhos do povo. E assim vamos indo, de mão em mão, no varejo das nossas pequenas coragens. Quem a eles percebe, nas atas e negociatas, é um inimigo do futuro. Do con­tra. Um revoltado que não reconhece heroismos mancos, falsas lendas, e os bem dissimalados benfeitores de si próprios, heróis oficiais das burras fartas, teúdas e manteúdas.

O novo capítulo dessa nossa história trágico-marítima, de naufrágios no mar da rendição é o Machadão. Sua pequena trajetória já revela, por si só, o mais novo instante. Nada faltou da antiga receita e seus gordos grãos de oportunismo. Primeiro, anun­ciaram e defenderam com furor a PPP, a famigerada Parceria-Público-Privada. Em seu nome, posto como respeitável, acusaram de inimigos os que desconfiaram do milagre e da entrega daque­la área com a promessa de uma revolução urbana.

Agora - sempre acaba assim - o Estado vai pagar tudo com um empréstimo no valor de R$ 1,2 bilhão e carência nos próxi­mos quatro anos. Em 2014, se reeleita, a atual governadora que assinou o empréstimo com o préstimo de uma empresa de cons­trução civil, vai herdar dela mesma uma dívida que exigirá R$ 9 milhões de juros a cada trinta dias. Ou seja, R$ 300 mil por dia. Quem for contra que assuma a pecha de inimigo do futuro que alguns já aceitaram vendê-lo. Como se fossem heróis.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

FIRULA


XEQUE-MATE, firula ou JOGO DE CENA?
Siqueira, 31 de maio de 2011 às 11:01
COMENTÁRIO NO BLOG DA ABELHINHA


Posso estar redodamente enganado, mas as imagens que estão mostrando nos jornais, de que a obra da arena ja começou, é um pouco curiosa.

Falaram que tem uma equpe fazendo um levantamento topografico do local….

GENTE! SERÁ QUE UMA ÁREA DAQUELA, NÃO EXISTE LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO JÁ FEITO?

NÃO SE FAZ UM ESTUDO DE UM PROJETO, SEJA ELE DE QUALQUER PORTE, SEM UM LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO DO TERREN

ENTÃO PODEMOS CONCLUIR QUE O PROJETO DA ARENA DAS DUNAS FOI FEITO?

SEM ESSE DADO, SEM SE SABER A SITUAÇÃO TOPOGRÁFICA DA AREA?

NO RUMO DO INFINITO, ANTE TANTAS DESILUSÕES

C ARTA À AMANDA
Francisco de Sales Felipe
TRIBUNA DO NORTE - 01 de Junho de 2011
http://tribunadonorte.com.br/noticia/carta-a-amanda/183471

Os sonhos não podem ser demolidos. Eles se azulam no rumo do infinito. A ignorância se assemelha aos sargaços deixados pelo mar na areia. É o mar soluçando e essas algas enchendo as nossas praias.

Amanda, a nação assiste, ao mesmo tempo, à divindade de sua resistência e à demolição do patrimônio público pelos que se entregaram aos lençóis da FIFA. No mercado da cartolagem, em cada canto há um audacioso.

Estava arrumando meu matolão - e nele colocando o sonho de voltar ao meu sertão para sossegar minha alma ante tantas desilusões - quando vi sua imagem e ouvi sua voz firme e compassada. Naquela hora, Amanda, deixei meu saudosismo compulsivo, e um riacho de vontade de resistir me banhou. E sob aquelas cascatas me chegaram logo os aromas das flores-de-cachoeira da nossa terra.

"Royal Cinema", "Serenata do Pescador" e "A Desfolhar Saudades", de repente, ressurgiram como sons musicais para te louvar, Amanda, e pelos teus sonhos irão por aí espargindo a canção: Amando Natal. Amanda, Natal!

Nísia Floresta e Palmira Wanderley, intercedei, junto a Deus, por todos nós. Diante de Marize Castro, Diva Cunha, Iracema Macedo e Carmen Vasconcelos - poetas de versos tão sublimes - o atrevimento e a bajulação dos demolidores afirmam que o lugar de educador não é na biblioteca. Eis, portanto, o teor da nossa intercessão: Deus onipotente, afastai de seus filhos os fazedores de promessas - estas sempre renovadas e por isso denunciadoras de que a espera por esse dia que nunca vem se transformará, inevitavelmente, numa angústia que, uma vez represada, um dia explodirá em gritos divinais. Dai-nos, senhor Deus, a verdade, a coragem de dizê-la e a ternura de Amanda quando os aventureiros chegarem de marreta em punho para destruir o nosso "Poema de Concreto".

Eles, Amanda, permitiram que o antigo casario de nossa Ribeira - linhas arquitetônicas de uma época de estação de trem e maria-fumaça - ruísse. E hoje o que nos resta daquele tempo?

Não! A minha Natal, a nossa Natal não aceitará a presença desses cartolas que pretendem, acintosamente, sujar a honra da terra onde nasceu Amanda.

Finalmente, Amanda, digo-lhe com a firmeza herdada dos nossos antepassados. É bom ser honesto e assistir às suas aulas.

Que Deus nos ilumine na salvação da Educação do nosso Rio Grande do Norte.

NASCIDO NA ESQUINA

Poesia que abraça todo um povo
Ticiano Duarte
Tribuna do Norte 01 de Junho de 2011
http://tribunadonorte.com.br/noticia/poesia-que-abraca-todo-um-povo/183465


Laélio Ferreira de Melo me brindou com o excelente, "Othoniel Menezes" - Obra reunida por ele, o filho, seu fiel admirador, selecionada, revisada e competentemente anotada. O poeta, cantor maior deste pedaço de nordeste sofrido, de mensagem ondulante e múltipla que o consagrou ao celebrar, o "Sertão de espinho e de flor", a "Ara de fogo", "Abysmos" ou "A cidade perdida" - absolutamente adorável, deixando o coração falar à vontade.

Nos idos de 1950, era repórter do "Diário de Natal" e o "Poty", e o secretário de redação, Veríssimo de Melo, designou-me para entrevistar Othoniel Menezes, então residente à Rua Correia Teles, na Cidade Alta. O título da reportagem escandalizou a população, ao denunciar que o poeta estava morrendo de fome. Ele mesmo fez questão de expor de público o estado de privação a que estava sendo submetido, abandonado pelos seus amigos que estavam no poder e lhe tinham prometido dar solução aos graves problemas que o afligiam, da falta de recurso necessário para atender suas necessidades materiais urgentes, para sobreviver com a família, dignamente.

Newton Navarro levantou a voz de protesto: Cidade ingrata esta, que deixa que os seus poetas morram de fome. E Veríssimo de Melo fez coro a indignação do outro bardo, incentivando o Lions Club de Natal a conceder-lhe um prêmio de dez mil cruzeiros, o que ocorreu, em 08 de agosto de 1956.

Aliás, há um texto primoroso de Othoniel, "O drama de vida na província", em que diz que, "Com o pecado original de haver nascido na Esquina, tinham vencido, Rodolfo Garcia "ex-diretor do Museu de História Nacional e da Biblioteca Nacional. Membro da Academia Brasileira de Letra); Antônio de Souza (ex-governador do Estado e escritor); Peregrino Junior e seu irmão Humberto Peregrino (o primeiro membro da Academia Brasileira de Letras e o segundo, também escritor, coronel do exército e membro da Academia Norte-riograndense de Letra); Angyone Costa (Jornalista, professor, arqueólogo, etnógrafo, antropólogo, ensaísta, etc. Laélio nas suas anotações destaca seu escritor mais lido nos meios acadêmicos); José Wanderley, que conheci pessoalmente, amigo de mocidade do meu pai, autor teatral consagrado, suas peças fizeram sucesso nacionalmente; Nilo Pereira, Adauto Câmara, José Bezerra Gomes, Abner de Brito, entre outros.

Morar na Esquina, Laélio informa que era um dos apelidos que Othoniel dava ao Rio Grande do Norte, notadamente a Natal, em função da posição geográfica no mapa do continente. E acrescenta: "Foi o primeiro a chamar Natal de Jerimunlândia. Outros topônimos da capital: Cidade dos Reis, Cidade de Santiago, Natalópolis, Nova Amsterdã, Trampolim da Vitória, Londres Nordestina e Cidade Espacial".

Sempre me encantei com a poesia de Othoniel. Quando sua voz e seu canto calaram, o Rio Grande do Norte ficou menor, tal a força dos seus versos, a beleza harmoniosa do cântico diverso, da eterna música das coisas, de que falava Raul de Leoni. Ele disse, num momento poético alto, que a glória que aspirava - a única - e que havia de ser sua túnica, "mais sagrada que a de um rei, posse intangível" se plantava na alma do povo - "que canta as canções que lhe ensinei".

Foi realmente o príncipe dos nossos poetas. Henrique Castriciano, que prefaciou o seu livro "Gérmen", de 1918, no início de sua carreira, disse entre outras coisas: "seus versos de inexcedível harmonia: Lendo-os, o espírito imerge na suavidade do sol-posto e nas recordações do pretérito, saturado de tristezas de tarde evanescente e da noite invasora".

Cascudo, prefaciando "Sertão de espinho e de flor", disse que era um grande livro, "espelhante de verdade de indignação sagrada... e citando Walt Whitman - "quem tocar esse livro abraço todo um povo".