quarta-feira, 30 de novembro de 2011

HISTÓRIA MAL CONTADA

foto: Emanuel Amaral, TN
HISTÓRIA MAL CONTADA
Cassiano Arruda Câmara
Novo Jornal, 30 de novembro de 2011


Nossa Câmara Municipal que não tossiu nem mugiu diante da derrubada do Estádio Machadão – o “poema de concreto” – fruto do talento de um arquiteto natalense autor de um projeto que marcou a cidade por mais de trinta anos, como marca destacada de sua paisagem, decidiu “preservar” o desativado estádio Juvenal Lamartine definindo-o como “Patrimônio Histórico, Cultural, Arquitetônico e Esportivo de Natal”.

Numa cidade que tem mais da metade de sua área total vedada a qualquer tipo de ocupação, os nossos edis saíram dos seus cuidados para defender o que classificam como monumento arquitetônico.

Faltou algum embasamento técnico capaz de justificar essa decisão, começando pela definição de um estilo. Qual? – Sua fachada, na verdade um autêntico puxadinho inventado nos últimos
anos, amontoando uma série de bibocas e lojinhas, projetada por algum mestre de obras anônimo?

Ou será a velha arquibancada de madeira, que tem andado interditada pela falta de segurança para algum uso? Quem sabe se o “túnel” ligando os vestiários ao campo de jogo, realizado por João Machado, já no apagar das luzes do velho estádio, quando este já estava empenhado na construção de novo (já demolido) e que por todas as justificativas tinha o seu nome?- Fora isso existe um quadrilátero de arquibancadas, construídas em diferentes momentos, iguais a tantas outras – aqui e alhures – de um tempo onde não havia maior preocupação no projeto de estádios de futebol.

Ou será o campo de jogo? O reconhecimento da importância de duas traves, em nada diferente de dezenas de outras existentes em Natal e no mundo todo, ou o mal tratado gramado, nunca reconhecido – nem mesmo na sua época áurea – como sendo algo a merecer destaque?

Do alto de sua prosopopéia, o vereador George Câmara do PC do B pontifica de maneira tão solene como indefinida: “Essa matéria é um olhar para a história. O olhar que tem o setor imobiliário é outro, pois naquela região muitos prédios já foram instalados. As imobiliárias não tem que preservar o papel histórico do Juvenal Lamartine”.

O representante comunista não esclareceu se é contra a construção de prédios, que são construídos em todos os lugares, mesmo na Albânia, ou na antiga União Soviética, ou mesmo na China de Mao Tsé-Tung
, ou na Cuba dos irmãos Castro, onde a conservação dos antigos edifícios tornou-se bastante deficiente no “período especial”, determinado pelo embargo americano.

Também não esclarece o olhar de qual história. Na verdade, os nomes que fizeram essa história nunca foram tão esquecidos.

Craques como Jorginho, Ribamar, Gerim, Cuíca, Pedro Bala, o mossoroense Dequinha, Abel, Burunga, Biró, Geri, Walace Saquinho, o depois prefeito Djalma Maranhão, Miro Cara de Jaca, treinadores como Álvaro Barbosa, Edésio Leitão, Pedrinho Quarenta ou árbitros como João Cadmo Cavalcanti, Luiz Meireles ou Jader Correia, e tantos e tantos outros, não mereceram dos nossos desportistas, nem muito menos dos nossos vereadores (nem mesmo nessa legislatura campeã na fabricação de leis – a maioria que não saiu nem vai sair do papel) qualquer iniciativa para que esta história venha a ser preservada.

Por que em vez de tentar criar uma importância que não existe, não se pensa em algum próprio público (quem sabe o nunca usado Presépio de Natal) um lugar onde se colocasse um pouco da
memória do nosso futebol, aproveitando – por exemplo – o acervo de Luiz GM Bezerra?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

GOVERNADORA FAZ CHURRASCO PARA COMEMORAR DEMOLIÇÃO DO MACHADÃO

foto: augusto césar costa
BRINDEMOS O MACHADÃO POR SUA BONITA HISTÓRIA
Albimar Furtado
novo jornal, 25 de novembro 2011

Amanhã, sábado, será levantado um brinde à derrubada do Machadão.

Vi a notícia, achei esquisita mas não impossível. Brindar o fim de um monumento que foi marco na arquitetura, na história do nosso futebol, no prolongamento da geografia da cidade?

Para deixar claro: viva a Arena das Dunas, salve o belíssimo projeto, louvores ao novo monumento que deixará Natal mais bela.

Mas por que ser construído exatamente ali, exigindo a derrubada de um estádio (e não foi barato
destruí-lo) para imediatamente depois anunciar a construção de um segundo, com verba estadual, em outro lugar? Construir outro se transformamos em pó um que já existia?

O estranho na idéia de brindar a queda do Machadão é deixar de brindar o novo que está chegando.

Diz-se que aos vitoriosos tudo pode. Mas sequer houve batalha.

Existiu uma reação justa, revelada com toda dignidade de um profissional de competência reconhecida que um dia projetou um estádio que foi chamado de poema de concreto; que surpreendeu ao substituir enormes e pesados blocos de concretos em formato circular por vigas distribuídas em linhas mais suaves, leves, dando relevância à arquitetura potiguar.

Alguns, e foram poucos, o seguiram, exercitando um direito de cada cidadão. Mas batalha
não houve e se ela não existiu a vitória não está na derrubada do velho marco, mas do novo que
começará a surgir. Melhor deixar o Machadão descansar em paz e que dele possamos lembrar
de outras belíssimas batalhas, as produzidas no chamado tapete verde e, estas sim, merecedoras de todos os brindes.

Lembranças que não se limitam às disputas entre dois times de futebol, mas que chegam a
instantes de beleza sem fronteiras, como as provocadas pela interação de artistas com a massa
humana que ocupava suas arquibancadas.

Eu estava lá, nas arquibancadas, no evento em que o Instituto Varela Barca trouxe a Natal grandes nomes da música brasileira, sensibilizados e dispostos a contribuir com nordestinos
que sofriam as conseqüências de uma seca braba. Entre esses artistas estava Alceu Valença.

O pernambucano estava rouco, a garganta a maltratá-lo. Com inteligência, fez a enorme platéia
cantar por ele. Feito Chacrinha, comandou a massa. Pediu que desligassem os refl etores e
pelas arquibancadas, por instantes, a luz se fazia pela chama de
milhares de isqueiros acesos. Foi um belo show.

No Machadão também teve disso. Por onde desfilou o futebol do maior atleta de século, Pelé, em
partida que reuniu mais de 50 mil torcedores; que recebeu e ovacionou Marinho Chagas; que viu jogar Ademir da Guia e o atleticano Reinaldo, ali também aconteceram momentos históricos e
de importância artística e social.

Brindemos todos o que significou o Machadão pra todos nós.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sonata à Mulher

"Irei jantar no La Fermette Marbeuf 1900 só para ter a certeza de que mocó torrado é bem melhor do que foie gras."
Francisco de Sales Felipe


Sonata à Mulher

Francisco de Sales Felipe


Eu deixarei que todo o meu ser

Seja viajor pelos girassóis de teu corpo deitado.

E te acompanharei na sonata de desejos calados.

Leva-me assim para o prazer de teus gemidos.

Na rosa da tua boca, serei homem a pulsar de desejos.

Espero-te, mulher, no devagar do despir-se.

Manhã em Paris, 01.11.2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Cadê os EIA/RIMA?

EIA - Estudo de Impacto Ambiental
RIMA - Relatório de Impacto Ambiental


CARTA AO AMIGO JUSSIER SANTOS

Caro Jussier:

Louvável seu obstinado grito contra o crime de lesa-pátria que os políticos deste infeliz país estão cometendo contra o povo que os elegeu, em humilhante processo de subserviência aos interesses escusos dos facínoras que se apossaram da alegria ingênua do povo pobre, que é o futebol.

Lamento dizer que o crime já está consumado e seu corajoso depoimento se perderá no tempo, pois povo sem memória não tem história. Despojaram-nos da dignidade e soberania, vendo nosso patrimônio dilapidado e o erário saqueado, escorrendo pelas cuecas de grife dos gigolôs que exploram a única paixão até então permitida à plebe.

Há tempos venho lhe dizendo que nesta bandalheira não me meto mais, pois a ordem é seguir o conselho das cafetinas da corte, “relaxem e gozem”.

Só me manifesto sobre o assunto neste momento, porque fui citado nominalmente no último dia 21/08/2011, no programa de Nelson Freire, na SIM TV, sobre o brutal e desnecessário trucidamento do patrimônio público representado pelo extermínio do complexo do estádio Machadão, em troca de um hipotético “legado”, dito salvador do Brasil, em simulacro de debate com intuito de esclarecer a opinião pública, mas que, na prática, deixou mais confusão.

Disse o super secretário da SECOPA, que fora antes contrario ao extermínio do Machadão para dar lugar àquele faraônico projeto de DUBAI, unanimemente condenado no fórum do CREA de julho de 2009, pelas maiores autoridades sobre trânsito, saneamento e meio ambiente, tendo até provocado uma ação cautelar do MP, e que findou superado pela lavagem cerebral do governo, resultando em pizza.

Confirmou que convidou o Engenheiro José Pereira e a mim para uma avaliação de nosso projeto de adaptação do Machadão, elaborado rigorosamente em obediência às condições exigidas pela FIFA, conforme CD em nosso poder, e até colaborou na análise de nosso Orçamento Estimativo que resultou em um custo de R$ 86,950 milhões (nele incluído um edifício garagem de R$ 29,369 milhões, que seria transformado, após a copa, em centro administrativo para o Município). Pretendia o secretário, colher argumentos para engajar-se na defesa daquela solução racional e lógica que poderia colocar Natal na Copa, sem maiores custos.

No atual Governo, estranhamente, o aludido secretário, embora engenheiro, descobriu nova tese matemática, ou seja, na sua ótica, R$ 450 milhões é uma quantia menor que R$ 86,950 milhões, (sem comentário), e daí tomou uma posição radicalmente oposta, agora em defesa da implosão ou da marreta para demolir o patrimônio público, com a cumplicidade da maioria dos vereadores, da unanimidade da assembléia estadual, da negligência de todas as instituições de defesa da cidadania, da passividade dos clubes e das federações desportivas e com o consentimento do povaréu anestesiado pela propaganda enganosa.

Dá pena ver-se a humilhação dos tradicionais clubes da cidade, mendigando dos governantes gambiarras em estádios obsoletos ou submetendo seus torcedores a viagens caras e cansativas para ver jogos em outras cidades e o desperdício do esforço de quase 100 anos de dedicação dos velhos desportistas deste Estado do “já teve”. Daí, caro amigo, minha admiração pela sua luta quase quixotesca, sozinho e apenas amparado na sua convicção e no comportamento cavalheiresco de sempre.

Chamado a explicar a sustentabilidade do elefante branco, disse o secretário em comento que conta com os eventos internacionais,provavelmente tipo Lady Gaga, Madonna, Barcelona, Real Madri, Cirque du Soleil, Holliday on Ice e similares, chegando até a fazer uma comparação jocosa e injusta com o empresário Nevaldo Rocha, sem atentar que esse notável empreendedor não usa marreta para destruir nada, somente constrói, com o uso de seu talento e de sua notável equipe, sem BNDES, sem fundo garantidor, sem bolsas ludoterápicas, com seriedade, e ainda arca com a violenta carga tributária que sustenta os mensaleiros desta república.

Eu já disse antes, a salvação (não sei de quem) serão os terrenos do fundo garantidor que valem em torno de R$ 1 bilhão.

Se o “debate” continuar, conforme prometido, ainda resta muita pergunta incômoda a ser feita, principalmente:

a) O local da Arena das Dunas foi efetivamente escolhido num passeio aéreo, por amor à primeira vista? Ou qual teria sido o critério técnico ou urbanístico, em se tratando do maior nó viário da cidade?;

b) “Vamos demolir o estádio porque ele vai cair sozinho, audaciosa afirmação do anterior secretário da SECOPA, em audiência pública na Assembleia (outubro de 2009), segundo ele, por opinião de um engenheiro (não disse quem), sabendo-se que dito secretário é leigo em assunto de engenharia, num auditório lotado de engenheiros e arquitetos, e o pior, em grosseiro desrespeito à presença do professor José Pereira da Silva, que recentemente tinha feito uma recuperação estrutural daquele patrimônio?;

c) Se a “presidenta” resolver levar à frente a atual “faxina” em curso, e se o fato vier a suspender o “legado”, após a destruição dos bens públicos, quem pagará pela orgia?;

d) E o EIA/RIMA, carro chefe da vigilância das defensorias do meio ambiente?

Essas respostas têm que chegar ao público.

Acredito que você não se incomodará se eu tentar divulgar está mensagem, até mesmo para que você não fique só.

Um abraço do amigo e admirador

Moacyr Gomes

Em 23/08/2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

AS 'BOAS' DE HOJE

“Em todos os encontros técnicos
que tivemos, primeiro na
reunião de governadores do Nordeste,
em Sergipe, e, posteriormente,
em reuniões na sede do
BNDES no Rio de Janeiro, o presidente
Luciano Coutinho sempre
dava como certa a operação de
financiamento. Hoje (ontem) ele
me deu essa ótima notícia.”
Rosalba Ciarlini

foto novo jornal: ney douglas
até onde procede o otimismo de hoje?
eduardo alexandre

véspera de festa da copa, notícias boas têm que chegar para espantar fantasmas agourentos.

não deu outra: os jornais natalenses amanheceram com notícias alvissareiras, depois de meses e meses anunciando idas e vindas, adiamentos, dificuldades de toda ordem para contratação e execução de serviços para a realização da copa por aqui.

à noite, vieram as notícias.

a mais importante, de diretor da OAS, assegurava que o BNDES finalmente se manifestava sobre o empréstimo para a construção da arena das dunas: em quinze dias estará com o dinheiro na mão para o início das obras, com a demolição do machadão.

a outra nova dava conta que a prefeita micarla havia sondado o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para obtenção de empréstimo de R$ 100 milhões, a título de financiamento, para custear as contrapartidas das obras de infraestrutura urbana da Copa 2014.

essa última notícia embute uma outra péssima, a de que o empréstimo de 300 milhões que seria feito junto à Caixa definitivamente está descartado, já que o prazo encerra amanhã e os problemas com o Cauc não foram ainda solucionados.

resta ver em quanto o empréstimo com o BID fica mais caro ou não, comparado ao que seria feito pela CEF. também, se os restantes 200 milhões necessários à contrapartida da prefeitura para as obras de 800 milhões em natal virão do mesmo banco.

notícias de véspera de festa sempre são assim, otimistas.

não poderia ser diferente para a natal em meio ao tiroteio de pessimismo que levavam até a duvidar se teremos mesmo copa por aqui.

próxima semana, quando a poeira da festa da fifa no rio baixar, o noticiário volta ao normal e então veremos até onde esse otimismo procede.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Nem a excepcionalidade

"Podemos dar início às obras com recursos próprios, a nossa contrapartida, enquanto resolvemos as pendências."
Micarla de Sousa, prefeita de Natal

pedra do cauc
eduardo alexandre

Entre os projetos pendentes junto à CEF está o de macrodrenagem da cidade. Sem garantia de execução desse projeto, não tem licença ambiental para a demolição do Machadão e construção do Elefante das Dunas, que ainda não tem projeto executivo nem contrato com BNDES.
O prazo do contrato CEF é 30 de julho. Próxima semana, portanto.
O Congresso está em recesso. Nem a excepcionalidade de Medida Provisória salva mais.
Adeus.


ARENA DEPENDE DE RELATÓRIO DO IDEMA
DIÁRIO DE NATAL

Cidades
Edição de sexta-feira, 22 de julho de 2011

Prefeita vai buscar solução política para pendências

Diversos órgãos e autarquias municipais apresentam irregularidades, prejudicando o recebimento de recursos federais
Maiara Felipe e Fábio Araújo

A prefeita de Natal, Micarla de Sousa, vai apelar para uma solução política em relação às dívidas do Município que constam no Cadastro Único de Convênio (Cauc) do Governo Federal, uma espécie de Serasa para os municípios. Na próxima semana, a chefe do executivo estará em Brasília para tentar resolver as inadimplências junto ao Ministério da Fazenda. As contas estão impossibilitando Natal de receber recursos da União, inclusive, os referentes aos projetos de mobilidade Urbana para Copa de 2014. No total, o financiamento para as obras de mobilidade urbana é de R$ 338 milhões, que se somam aos R$ 186 milhões destinados ao túnel de drenagem entre o Machadão e o Km 6. Apesar das grandes cifras, até agora nenhuma obra começou.


Micarla defende que cidades-sede precisam ter tratamento diferenciado Foto: Carlos Santos/DN/D.A Press















Apesar do entrave na Justiça Federal sobre retirar ou não o nome da Urbana do Cauc, não é isso que definirá a vinda de recursos federais para Natal. A Prefeitura e algumas autarquias municipais aparecem no Cauc com problemas na prestação de contas do FGTS, INSS, Saúde, Educação, Cadin, SRF e alguns convênios. "O Cauc é uma espécie de Serasa das prefeituras e governos, que ficam 'fichados' quando deixam de pagar, mas também quando não enviam ofícios e prestações de contas. Não se pode tratar os desiguais de forma igual. As 12 sedes da Copa precisam ter tratamento diferenciado", acredita a prefeita.

Micarla de Sousa atribui à gestão anterior a responsabilidade pela inclusão da Urbana no Cadastro. "Em 2005, a empresa entrou no Refis, mas colocou números diferentes do real na contabilidade. Agora, a Receita Federal fez auditoria e descobriu essa maquiagem, incluindo a Urbana no cadastro. A cidade não pode ser penalizada por essas atitudes. Os responsáveis precisam ser punidos, não o município inteiro", destaca a prefeita.

O procurador do município, Bruno Macedo, explicou que no mês de maio entrou na Justiça para que não fossem incluídas no Cadastro Federal as dívidas previdenciárias da Urbana, no período de 2005 a2008. Porém, após esse tempo outros problemas de prestação de contas entraram na lista. Mais que estratégias jurídicas, a prefeita recorrerá às articulações políticas.

"Podemos dar início às obras com recursos próprios, a nossa contrapartida, enquanto resolvemos as pendências. Pedimos à presidenta Dilma Rousseff que seja aberta uma excepcionalidade no tratamento dos municípios incluídos na Copa. A ideia é que essas cidades só entrem no Cauc quando houver débito financeiro, e não por questões burocráticas e de documentação", declarou Micarla. Em paralelo, a Prefeitura deve recorrer da decisão da Justiça Federal, que negou o recurso do Município para que os débitos referentes à Urbana fossem desconsiderados para efeito de pendências no Cauc.

quarta-feira, 20 de julho de 2011


ESTÃO QUERENDO ENGANAR QUEM ?
não somos assim tão bestas, pensam que estão nos enganando, mas não estão. Nós sabemos de tudo e não somos bobos
João Ubaldo Ribeiro

Li em algum jornal que a Fifa, essa organização da qual volta e meia se evola um odorzinho de mutreta, que lida com cachoeiras de dinheiro, cujas decisões são às vezes vistas como fruto de processos viciados e que, enfim, não é nenhuma casa pia, ameaçou fazer a Copa de 14 na Espanha, se as obras aqui não forem apressadas - ou até mesmo iniciadas, como dizem que é o caso de muitas. Por artes do caprichoso destino, isso pode interessar à Espanha, que tem estrutura e está pendurada. Pode interessar a toda a Europa, aliás, devido ao reflexo dos problemas espanhóis na economia do euro. E talvez o Brasil nem conseguisse ir aos jogos, porque os espanhóis poderiam aparelhar os aeroportos para otimizar sua já tradicional deportação de brasileiros.

Apressar as obras significa, como também se divulga muito, relaxar controles sobre custos e gastos. Claro, qualquer que seja o resultado dos debates, todo mundo sabe que haverá roubo. Se for feita uma enquete, tenho certeza de que a grande maioria dos brasileiros acredita que vai haver roubo nessas obras, com sigilo, sem sigilo, de que forma for. Existirá sempre um jeito de roubar, entendido isto como faturamento fraudulento, propinas, desvios de materiais e serviços e, enfim, todo tipo de trambique aplicável, num repertório em que seguramente somos líderes mundiais.

Sim, todo mundo está cansado de saber disso. Então para que tanta complicação inútil, se tudo vai ser mesmo garfado, sempre foi, desde que nos entendemos e ninguém tem problemas ao ganhar dinheiro desse jeito? Há tantos estádios a construir, tantos aeroportos a reformar, tantas obras públicas, tantas armações que podiam já estar rendendo grana e ficamos nessa demora ridícula, repetindo atos ou palavras que nunca resolveram nada. Tanto o que surrupiar já dando sopa aí e esse pessoal perdendo tempo em formalidades que todo mundo sabe que não servem para nada, a não ser para embalar o sono dos que as ouvirem, em forma de discursos, no Senado Federal. Não havia nem necessidade da mãozinha que a Fifa está querendo dar (ou meter).

É difícil assistir a um noticiário de televisão em que não seja mostrado o desbaratamento e prisão (e imediata soltura, em questão de segundos) de pelo menos uma quadrilha que fraudava algum órgão público. Difícil, não, impossível; não me recordo de nenhum. Se qualquer político for acusado de ladrão numa roda de conversa, dificilmente alguém o defenderá com convicção, porque confere com o padrão que nos acostumamos a aplicar à nossa sociedade. Nenhum tipo de falcatrua ou sordidez nos surpreende e é bastante comum que, nessas conversas, alguém lembre uma história bem pior.

E os parlamentares, se não são todos ladrões em sentido amplo, são beneficiários impudentes de uma abundância obscena de privilégios, a começar pelo imoralíssimo foro especial, que os põe numa acintosa classe acima dos governados, a quem não prestam satisfações e cuja vontade ignoram, se não coincide com seus interesses. Há sentido nas miríades de "ajudas", nos fantásticos seguros de saúde, nas generosíssimas viagens e em tudo mais de que desfrutam para mal e pouco trabalhar, isto quando trabalham? Os estrangeiros têm dificuldade em compreender como uma sociedade aceita esse deboche deslavado, que ainda lhe é impingido com arrogância e ostentação de poder. Não acho de todo descabida a semelhança que vejo entre esses privilégios e os da corte de Luís XIV, na França do século 18. De fato, como já disse aqui, o Estado entre nós não é o rei, que não temos; mas o Estado entre nós é dos governantes e a soberania é deles, respeitados os donos da economia.

No serviço público, a falta de compostura e o nepotismo, embora hoje disfarçado pelos intrincados laços familiares dos brasileiros, são a regra. O que é público não é de ninguém, começando pelo material de escritório levado para casa e terminando pelos cartões corporativos. Ocupantes de cargos públicos de relevância se associam secretamente a empresas de "consultoria" e assim ganham fortunas, fazendo na verdade advocacia administrativa e tráfico de influência. Egressos do serviço público caem na mesma prática, pois o serviço público aqui não é para o público, mas para quem o presta, ou alega prestar. O serviço público é uma oportunidade para "se fazer". Comportam-se assim até os menos rapineiros, que se contentam em "colocar" um filho aqui ou acolá, ou bem encaminhar seu futuro depois da política, apesar de já bastante acolchoado por aposentadorias magnânimas e benesses liberais.

E ninguém, afinal, é punido por nada. Se antes isso se aplicava somente aos ricos e poderosos, agora vale para todos. A melhor maneira de matar alguém no Brasil é ficar bêbado, pegar o carro e atropelar a vítima. Aí o atropelador se recusa a usar o bafômetro e vai para casa, responder a processo em liberdade, para, no caso difícil de vir a ser condenado, cumprir a pena também em liberdade. Embriaguez pode até virar atenuante, surto psicótico. Matar gente, aliás, é cada vez mais fácil, talvez mais que roubar. Matar bicho nem tanto, mas pega mal o sujeito sair dizendo que está sob a proteção do Ibama.

É por essas e outras que eu digo: vamos parar com essa enrolação toda, que chega a nem ficar bem, parece sabotagem com a Seleção. Não já estamos exaustos de saber que, em ocasiões semelhantes, meteram a mão na granolina para valer? Não é assim que se faz e sempre se fez neste país, como costumava lembrar um grande líder nosso? Então vamos liberar logo essa grana e sossegar a rapaziada, corrupto também fica estressado. E, afinal de contas, não somos assim tão bestas, pensam que estão nos enganando, mas não estão. Nós sabemos de tudo e não somos bobos, somos apenas omissos, submissos, cínicos e cada vez mais moralmente insensíveis - ninguém é perfeito.

Jennings descarta Copa no Catar e pede intervenção de Dilma na CBF


A seleção brasileira representa mais de 190 milhões de pessoas, mas Ricardo Teixeira acha que pode fazer o que bem entende pelo fato de a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ser uma entidade privada. Ainda assim, o jornalista escocês Andrew Jennings, famoso mundialmente por denunciar uma série de irregularidades na Fifa, pede que a presidente Dilma Roussef intervenha para destituir o mandatário e descarta a realização da Copa de 2022 no Catar.

Fernando Dantas/Gazeta PressResponsável por denunciar  irregularidades na Fifa, Andrew Jennings quer Ricardo Teixeira fora da  CBFResponsável por denunciar irregularidades na Fifa, Andrew Jennings quer Ricardo Teixeira fora da CBF




















Autor do livro "Jogo Sujo. O Mundo Secreto da Fifa: Compra de Votos e Escândalo de Ingressos", em que denuncia esquemas de corrupção e favorecimento dentro da entidade que comanda o futebol, Jennings visitou São Paulo para promover a obra e, antes de participar de um bate-papo em uma livraria na cidade, recebeu a equipe da GE.Net. "O Brasil pertence aos brasileiros e ninguém faz nada no território brasileiro sem a permissão do governo eleito e do povo", declarou.

Além de presidir a CBF, Ricardo Teixeira é o mandatário do Cômite Organizador Local (COL) e centraliza a organização da Copa do Mundo de 2014. A presença do cartola, acusado de receber cerca de R$ 16 milhões de propina de uma empresa de marketing associada à Fifa, não inibiu a entidade de pressionar os representantes das cidades-sede a fecharem contratos com seus parceiros, o que contraria o processo de licitação adotado no Brasil.

Jennings defende uma maior participação do governo federal na organização da Copa de 2014 na medida em que boa parte do dinheiro empregado no evento é público, mas condena o chamado Regime Diferenciado de Contratações, mecanismo que torna sigiloso os orçamentos previstos para as obras durante o processo de licitação. Ele ainda reprovou a escolha da Rússia como sede em 2018 e descartou a possibilidade de o Catar abrigar a edição de 2022 do campeonato: "não vai ser realizada".

Corrupção na construção dos estádios

Tenho uma forte suspeita em relação ao atraso na construção dos estádios. A indústria da construção civil é sabidamente corrupta em vários países. Ela paga para conseguir as obras e depois vai devagar, não constrói. O cliente tem um prazo e fica preocupado. Aí, os construtores falam: "se a gente colocar todo mundo para trabalhar à noite inteira e de final de semana, a obra sai, mas vai custar um dinheirinho a mais". É uma forma de chantagem da indústria da construção civil. Eu também estou muito preocupado com a relação entre o Teixeira e o Jerome Valcke [secretário-geral da Fifa]. Se eu vir mais uma vez eles se beijando e abraçando, vou vomitar. Eu não aguento mais isso e estou sentido um cheiro de chantagem. O Valcke fica lá na Suíça e, de repente, fala: "as obras estão andando devagar, vamos acelerar!". Aí, o Teixeira vai chegar e falar ao governo brasileiro: "nós precisamos de mais dinheiro". Será que o governo vai dizer: "não, a gente não precisa construir estádio, somos o país do futebol e o resto verá pela televisão"?.

Legado

É engraçado. Toda vez que homens de negócio ficam ricos por conta de uma candidatura para receber a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos, nós sempre ouvimos "legado, legado, legado". Em outras palavras, eu prometo uma coisa para você, mas vai acontecer só no futuro, então me dê seu dinheiro agora e vai ser maravilhoso. Faça o que eu falo pra você fazer, que você terá um futuro maravilhoso. Legado? Que legado? Não existem evidências científicas que um grande evento no seu país faz as crianças começarem a se exercitar, praticar mais esporte. Não. Elas vão estar sentadas no sofá, vendo pela TV, por que deveriam se levantar? O que há com esses eventos esportivos que falam sobre legado saudável e são patrocinados por Mc Donalds e Coca Cola, os inimigos das crianças. Você pode pensar se há alguma hipocrisia aí.

Lobby da Fifa por parceiros próprios

A Fifa quer que o Brasil pague pela Copa do Mundo dela. Eles não podem dizer ao Brasil o que fazer, não há razão para isso. É uma dessas coisas diplomáticas: a presidente deveria mandar um representante falar com o presidente [da Fifa, Joseph] Blatter. "Eu tenho um recado da presidente: não mexa com a gente, ok?". O que eles não podem aceitar na Fifa é a presidente eleita de um país se levantando e dizendo: "a Fifa fede, eles estão tentando roubar nosso dinheiro". O Brasil pertence aos brasileiros e ninguém faz nada no território brasileiro sem a permissão do governo eleito e do povo. Então o governo, que está gastando muito dinheiro, precisa se manifestar. "Isso é o que nós queremos que aconteça na nossa Copa do Mundo, no nosso país, e estaremos bem. Receberemos os fãs, dará tudo certo, e não teremos que gastar tanto dinheiro".

Marcelo Ferrelli/Gazeta PressNa presidência da CBF desde1989, Ricardo Teixeira também é  responsável por organizar a Copa de 2014Na presidência da CBF desde1989, Ricardo Teixeira também é responsável por organizar a Copa de 2014




















Transparência x regime diferenciado de contratações


Tem algo realmente errado acontecendo com esses contratos. Não estamos falando de ciência nuclear, são contratos, podem ser monitorados. Então por que o governo não está olhando todos os contratos e os publicando na internet? Futebol é basicamente o jogo do povo, vamos deixar o povo ver os contratos, por favor! Não vejo debate público sobre o que o Brasil precisa. O que o país precisa, nós fazemos, e é isso. Aí você volta um pouco. A candidatura é comandada por construtoras buscando lucros mundiais e recompensas, mas deveria ser dirigida pelo governo e por pessoas genuinamente do futebol. Não pense que o senhor [Ricardo] Teixeira [presidente da CBF] é o homem para representar os interesses do futebol. Ele representa os interessas dele mesmo e de sua família. Esse país poderia realizar uma conferência com políticos das cidades que receberão a Copa para falar sobre o assunto. "O que nós realmente precisamos para fazer o Mundial? Nós não precisamos de mais estádios, para começar. Vamos usar os que já temos, não haverá um novo estádio para a Cerimônia de Abertura, não vamos gastar dinheiro com isso. Nós jogamos futebol o suficiente nesse país e a Copa são só mais 64 jogos".

Brasileiros não verão a Copa nos estádios

Eu tenho um conselho para os brasileiros que querem assistir à Copa do Mundo: comprem uma televisão maior. Se qualquer coisa sugeriu a vocês que o povo brasileiro vai conseguir entrar num estádio para ver um jogo do Mundial, acho que essa pessoa estava fumando alguma coisa estranha quando disse isso. Em Oslo, na Noruega, entrevistei um cara que trabalha no mercado negro de ingressos. Ele estava de saco cheio da Fifa e disse que cerca de 40% dos ingressos da Copa saem pela porta dos fundos da própria Fifa para o mercado negro. Como jornalista, adoro um número grande, mas nesse caso achei que ele estava exagerando. Aí comecei a pensar de onde podiam vir esses ingressos e vi que talvez ele estivesse certo. Porque na verdade esses ingressos são como barras de ouro, são muito valiosos, e não vão parar nas mãos de vocês, a não ser que estejam dispostos a pagar um valor muito maior do que o original. Eles são uma comoddity global, vendida para quem paga mais. O melhor jeito para vocês assistirem à Copa do Mundo é na televisão do vizinho.

Blatter é o Senhor Ninguém

Não precisamos de Ricardo Teixeira, Joseph Blatter e temo que da maioria dos africanos também. "Não haveria futebol sem Blatter". Oras! Por favor! Teríamos melhor futebol sem Joseph Blatter, porque todo o dinheiro iria para o desenvolvimento. Toda vez que você vê uma criança descalça jogando futebol, o que infelizmente vi na África, o Blatter está viajando por todo mundo em jatinhos privados. Ele não sabe nem o que são voos agendados. Quem diabos é esse homem? Ele é o Senhor Ninguém, mas em 1º de junho 186 pessoas votaram para ele continuar na presidência da Fifa e não havia alternativa. Metade deles é tola e metade é ladra, recebeu sua propina e seu ingresso para a Copa do Mundo.

Intervenção de Dilma

O Ricardo Teixeira tem controle sobre muitos parlamentares. Ele faz doações de campanha e isso é um problema. Mas para que serve o governo? Se o Brasil fosse invadido, o governo mandaria o exército para a rua, já que tem o dever de proteger o seu povo. E o governo brasileiro tem que proteger o povo brasileiro do Ricardo Teixeira. Se ele saísse, seria uma pessoa a menos para dar dinheiro para esses parlamentares, a Fifa não poderia fazer nada e o Brasil seria mundialmente aplaudido. O senhor Teixeira não é um problema só agora, ele vai continuar sendo um problema no futuro, porque o nome dele está envolvido em corrupção na Suíça. A presidente Dilma [Rousseff] deveria pedir a um de seus assessores para pegar o telefone e dizer: "Oi, Teixeira, corra para o escritório da presidente agora! Agora! Ela está te esperando e traga os documentos relacionados àquele caso na Suíça, ela quer vê-los". Isso provavelmente funcionaria, porque depois de ver o que tem nesses relatórios, ela teria que demiti-lo. Seria bom para o Brasil, vocês seriam beneficiados e poderiam colocar alguém limpo no lugar dele, além de mandar uma boa mensagem para o resto do mundo: "o Brasil não aceitará a porcaria da Fifa e de mais ninguém". É só dizer: "adeus, Teixeira". É dinheiro dos contribuintes, ele não é homem para ficar a cargo de dinheiro dos impostos.

Punição para Teixeira e Blatter

O mínimo que deveria acontecer com essas pessoas é serem banidas pela vida do futebol, e provavelmente mais algumas consequências criminais. É fácil se livrar dessas pessoas que não foram eleitas. O Teixeira pode ir brincar com seu amigo Sepp Blatter, mas não pode estar envolvido com o Comitê Organizador da Copa. Há gente o suficiente nesse país que sabe como organizar um torneio de futebol. O que ele sabe? Eles não sabem como construir um estádio, como agradar os fãs, como fazer os cachorros-quentes. Eles não sabem como comandar um jogo de futebol, então adeus Ricardo, adeus Tricky Ricky [Ricardo Trapaceiro, apelido dado pela imprensa inglesa ao presidente da CBF].

Copa de 2018 na Rússia

Isso prova como a corrupção está profunda na Fifa. Eu tenho que dizer: sou da Escócia, Inglaterra, e acho que a melhor opção para a Copa de 2018 era a candidatura de Bélgica e Holanda. Porque seria numa área pequena, os fãs poderiam ficar em um só hotel, eles têm trens muito bons para você ir e voltar dos jogos e a cerveja é excelente. A cerveja da Bélgica, uau! Se você é bebedor de cerveja, você vai para lá e nunca volta. Com certeza, os fãs iriam gostar disso. Para 2018, a Inglaterra estava bem, poderia fazer a Copa, mas acho que Bélgica e Holanda seriam perfeitas. Vamos finalizar: a Rússia não tem estádios, eles estão fazendo todo o tipo de promessa, o sistema ferroviário deles é horrível e o serviço de aviação não é seguro. Eles não estão prontos. Um dia talvez, mas agora não estão prontos.

Copa de 2022 no Catar?

Eles nunca deveriam ter realizado duas eleições ao mesmo tempo. Como você pode falar sobre 2022? Nós não temos ideia do que vai acontecer. Vai haver uma guerra até lá? Como vão ser os direitos de televisão? Nós não sabemos essas coisas. Aí aparece o Catar, um dos países mais ricos do mundo. Eles compraram a Copa, eles subornaram por isso. Mas ela não vai ser realizada, porque no mundo real do futebol os jogadores não irão. Se você dirige um dos grandes clubes da Europa, como Barcelona, Real Madrid, Chelsea, Manchester United ou Liverpool, você não vai mandar um par de pernas perfeito que custa 50 milhões de dólares para um lugar em que durante o dia sofrerão insolação. Eles dirão: "desculpe, você não terá meus jogadores". Aí, a Fifa vai começar a perceber que precisa levar os clubes europeus muito a sério, porque os jogadores vêm de lá. Talvez venham da Argentina e do Brasil, mas eles jogam em clubes europeus, que não ligam para a nacionalidade de suas estrelas e não as mandarão para uma coisa sem sentido. Eles falarão "não" e a Fifa terá que fazer algo.

* Fonte: gazetaesportiva.net