A onda tuiteira
Eduardo Alexandre
O Twitter veio para ficar. Hoje, já é usado como febre que mantém crescente o nível de mercúrio do termômetro clínico. Muitos o usam. E passam o dia tuitanto. Entre os nossos, desde a governadora Wilma de Faria à abelhinha de plantão, Eliana Lima. Isso, sem falar nos senadores Garibaldi Filho, Zé Agripino e Rosalba Ciarline. O deputado João Maia, o presidente da Assembléia, Robinson Faria, o vereador Edivan Martins. Até o papangu Túlio Ratto tuíta de Mossoró.
O Twitter é um blog universal aberto a seguidos e seguidores, no qual o usuário digita uma mensagem com o máximo de 140 caracteres. A proposta do Twitter é simples, e lhe questiona: What are you doing? Ou seja, o que você está fazendo? Só que as pessoas foram muito além dos seus passos e passaram a dar informações valiosas para o dia-a-dia umas das outras.
Assim, ficamos sabendo, na hora, o que está acontecendo no mundo: tudo vai depender de a quem você segue. Se segue o jornalista Ricardo Noblat ou Josias de Souza, vai saber, via informe e link do Twitter, as últimas notícias da política nacional. Se seguir o humorista Millor Fernandes, vai se divertir com suas reflexões bem humoradas: "O cara está mesmo velho quando transa com uma mulher de 40 anos e é acusado de pedofilia". Para jornalistas, esses seres que passam o dia recebendo informações em primeira mão, é uma maneira de estar ligado o dia todo com o seu público leitor, repassando, uma a uma, as notícias que lhe chegam.
Para os políticos, é uma forma de contato com seu eleitorado, dizendo o que pensa e o que anda fazendo. Assim, Garibaldi pode dizer que "Finalmente estou podendo retornar a Brasília para retomar minha rotina legislativa.
A médica e dramaturga Clotilde Tavares amanhece no Twitter, acordando o povo: "Acordar todos os dias e transformar o mundo", já dizia Julian Beck! Eu tou nessa, twitteiro amigo, e vc? Bom dia". Tem uns que ficam dando resultados de jogos; outros, o que está passando na TV ou acontecendo nos plenários de Senado, Câmara, assembléias legislativas e câmaras de vereadores.
O jornalista Ricardo Noblat, que tem o blog político mais visitado do Brasil, a exemplo de muitos blogueiros, a cada nova postagem, envia aviso a seus leitores, via Twitter. E assim fazem milhares de blogueiros mundo a fora. Noblat ficou tão fissurado no Twitter, que nos últimos capítulos da novela global "Caminho das Índias", passou a comentar as cenas apresentadas.
O Twitter tem tanta eficiência que até anima a jornalista Thaisa Galvão a questionar: "Quer dizer que estão assaltando a mão armada no estacionamento do Midway? E ainda abafam o caso?" Anima Alex Medeiros, também jornalista, a cutucar o cão com vara curta: "Desde o deslize de Arthur Virgílio, o Senado entrou num acordão entre governistas e oposicionistas. Nem DEM nem PSDB falam da Ideli Salvatti".
Hoje, a governadora Wilma tuitou: "Assinei agora documento criando oficialmente a Delegacia de Defesa dos Idosos." O ex-presidente do PSDB e o também ex(?) secretário da sigla no RN, Geraldo Melo e Chagas Lourenço, também tuítam. E Chagas é cheio de muganga: "Quem não pode com o pote, não pega na rodilha." E assina: Zezinho lá de Santa Cruz."
Zé Dias, o produtor de Khristal, usa o Twitter para informar sua agenda de shows e dar palpites sobre assuntos diversos. O Gerimum Audiovisual usa o Twitter, também o Rosa de Pedra. Assim como o comentarista político Jânio Vidal e o seu bem humorado irmão Casciano, que deixou reclamação de si mesmo: "E os problemas do blog persistem. Vou começar a mudar quem anda mexendo nele. Talvez resolva."
Talvez resolva mesmo. E por aí vai o Twitter, ganhando mundo e celebridade. Nele, para jornalistas, políticos e pessoas que necessitam de público, vale mais ter seguidores que seguir. Em compensação, se você sabe escolher bem a quem seguir, vai encontrar curtas informações em profusão, todo dia e o dia todo, a todo minuto.
Tem uso pra tudo o Twitter. Saiu da esfera do "o que estou fazendo" da idéia inicial para se tornar um poderoso canal de informação da grande rede mundial de computadores.
Eu, agora, particularmente, acordo todos os dias ansioso por novas tuitadas da bela Kim Kardashian. E ela nunca vai nem saber quem eu sou.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
A onda tuiteira
Postado por
Eduardo Alexandre
às
17:23
0
comentários
terça-feira, 2 de junho de 2009
Natal 2014
Que venha 2014
Eduardo Alexandre
Fato irreversível para a História de Natal, Natal sede de Copa do Mundo em 2014, a cidade volta a ter olhos do mundo sobre ela. Como na Guerra, Trampolim da Vitória, Parnamirim Field, yes, my friend.
Agora, olhos esportivos, ávidos pelo que é de mais belo no futebol: o gol.
Dos escombros do Machadão vai surgir uma outra Natal.
Dirão: Cidade do já teve! E se os escombros ficarem como os da ponte férrea dos ingleses, nos Igapós? Ou como só lembrança de foto como a sede social de Petrópolis do ABC e SCBEU? Tudo para a realização de 2 ou 3 joguinhos sem importância?
Mas futebol é bola pra frente. Copa? Um fato histórico para o mundo. Sede? Uma vitrine. Sorte de quem tem sorte.
E a sorte está lançada.
Vai haver a implosão, dando lugar a tudo novo e mais moderno, centros administrativos maiores, de governo e prefeitura. Não poderia ser noutra área?
Espero não ponham abaixo o monumento à João Paulo II.
E torcer para que dê tudo certo e isso traga venturas para os que vêm e para todos nós natalenses.
Como o futuro ainda não é agora, acho, o espírito da Natalópolis tem que ser incorporado como prática. Já!
A cidade e o estado estão dominados por notícias de alto índice de violência no meio social. Vamos acabar com isso.
O estado e a cidade vivem décadas de problemas de assistência médico-hospitalar. Vamos ter assistência para o povo.
Vamos ter praia limpa, sem esgotos que cheguem ao mar.
Vamos ter trem de superfície e ônibus com hora certa, sem super lotação, em número suficiente.
Sim, vamos ter melhores salários e maior poder aquisitivo. E vamos ter empregos suficientes.
Vamos nos modernizar a nós mesmos.
Cultura em praça aberta. Receber com arte.
As mil maravilhas, não será.
Mas que ser sede de Copa vai ser muito bom para a cidade, vai, sim.
Que venha 2014!
Postado por
Eduardo Alexandre
às
05:30
0
comentários
quinta-feira, 28 de maio de 2009
ASSOMBRAÇÃO
Um beco sem a alma não tem lama
Um beco que não assombra não aponta
Um beco que não aponta não faz sombra
Um beco que não assombra não tem vida
Um beco que não tem vida não é beco
Um beco sem a vida não projeta
Um beco sem projeto não se cria
Um beco que não cria não produz
Um beco não produzindo gera o nada
Um beco sendo nada não tem arte
Um beco sem a arte não renasce
Um beco com arte recria a vida
Um beco recriando faz a arte
Um beco fazendo arte se completa
Elder Heronildes

Este “diário da garçoniere” é um embrião do livro “Miramar e Serafim”, cujo tema Oswald de Andrade buscou registrar o espírito modernista num mundo em transformação, cabendo esperanças para uma nova forma de fazer poesia. “Muito de arte entrará nestes temperos, arte e paradoxo, que, fraternalmente se misturam para formar, no ambiente colorido e musical desse retiro, o cardápio perfeito para o banquete da vida”, escreveu Oswald sobre aqueles encontros modernistas.
Resguardando as devidas proporções, o Beco da Lama, no centro da capital potiguar, tem sido a veia nevrálgica de vanguarda cultural do Estado. Para o leitor ter uma idéia da importância da confraria bequiana, quando em São Paulo, os modernistas proclamavam o novo estilo literário vigente com o “Manifesto Antropófago”, o poeta Jorge Fernandes fazia versos modernos como “O banho da Cabloca”, “Tetéu” e outros, no Beco da Lama. Vale ressaltar que o poeta Jorge Fernandes morava na Rua vigário Bartolomeu, rua paralela ao Beco, portanto, um freqüentador assíduo da boêmia natalense. Alguns professores da UFRN costumam dizer que Jorge Fernandes fez poesia modernista na própria "fase heróica" e, na época que Jorge Fernandes lançou seu “Livro de Poemas”, a idéia de modernismo ainda era muito frágil no Brasil, sobretudo, no Rio Grande do Norte. De acordo com os estudiosos da literatura local, Jorge Fernandes foi recomendado por Manoel Bandeira, tardiamente, quando soube da poesia jorgiana, escrevendo em carta à Veríssimo de Melo: “Precisamos urgentemente da poesia do poeta Jorge Fernandes. Urgentemente!” O poeta Jorge Fernandes teve seus textos veiculados nas principais revistas modernistas paulistas, no clamor do modernismo.
Quando Oswald de Andrade se formou em Direito pela Universidade de São Francisco, seu pai, percebendo o talento jornalístico do filho, patrocinou a abertura do periódico “O Pirralho” para que Oswald pudesse escrever e expressar seu pensamento. Na mesma época em Natal, o pai de Câmara Cascudo montou o jornal “A República” logo depois que o Príncipe do Tirol se formou em Direito, pela Universidade de Recife. Cascudo era freqüentador costumeiro do Beco da Lama, era sempre visto entre amigos pelas ruelas do Beco ao cair da tarde, buscando inspiração para mais uma “Acta Diurna” que seria veiculada nas páginas d’A República no dia seguinte.
Segundo a historiografia da literatura local, Luís da Câmara Cascudo é considerado "a ponte" entre Jorge Fernandes e Mário de Andrade. Cascudo é quem introduziu as idéias sobre modernismo no Estado, afirmando na sua obra que Natal havia nascido no século vinte, tendo "dormido literalmente" nos séculos anteriores. Para o escritor e crítico literário, Moacy Cirne – morando no Rio de Janeiro, é um freqüentador esporádico do Beco –, só há dois momentos importantes na Literatura Potiguar: o primeiro com o modernismo de Jorge Fernandes em 1927 e o outro com o advento do “poema processo”, em 1967.
Nas paredes da garçonniere oswaldiana havia quadros de Di Cavalcanti, Tarcila do Amaral, Anita Malfatti, entre outros artistas modernistas. Entre os freqüentadores daquela confraria paulista, havia as musas que freqüentavam as tertúlias literárias e uma delas era a normalista Maria de Lourdes, que os modernistas chamavam de Deisi (ou Miss Ciclone), símbolo da mulher moderna, independente, jovem, bonita e talentosa. Ao longo do tempo, o Beco da Lama tem sido palco para as mais diferentes beldades que vem inspirando poetas, prosadores e recheando os textos de alguns contadores de sonhos. Gardênia Lúcia foi durante muitos carnavais a sereia dos mares metafóricos dos poetas bequianos. Há relatos que um determinado Imperador apimentado do Beco da Lama foi vítima dos encantos de Gardênia, tendo ficado desaparecido por muitas luas.
Nas artes plásticas, a primeira exposição norte-riograndense, assumidamente modernista, foi realizada pelo artista plástico Newton Navarro, em 1948, numa sorveteria no centro da cidade, adjacências do Beco da Lama. Na contemporaneidade becodalamense, quadro de artista plásticos potiguares, do quilate talentoso de Valderedo Nunes, Assis Marinho, Franklin Serrão, Marcelus Bob, Léo Sodré, Gilson Nascimento, Fábio Eduardo, Marcelo Fernandes e outros artistas, retratando, nas paredes do bar de Nazaré, o cotidiano do Grande Ponto, expressando as marcas da vanguarda cultural dos freqüentadores do Beco da Lama.
Enquanto os fragmentos literários, produzidos durante o tempo da garçonniere pelos modernistas, viraram um diário coletivo, anotações poéticas que se transformaram num livro, registrando a inquietação daqueles intelectuais, a Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências – Samba – mantém uma lista de discussão na internet, aonde recortes e colagens antropofágicas vão registrando a ebulição cultural vivida nesse recanto da Cidade Alta. O pensamento dos freqüentadores da “garçonniere becodalamense” está estampado nas páginas de um blog na internet, “Alma do Beco”, cujas idéias são as mais profundas tentativas de revisão crítica e de reconstrução da cultura potiguar, que demandou a pesquisa e a abordagem poética de fontes do passado.
A Alma do Beco é a junção dos recortes literários, produzidos através dos sonetos de Antoniel Campos, das glosas fesceninas de Laélio Ferreira, dos pés-quebrados de Chagas Lourenço, dos poemas de Eduardo Alexandre, Luiz Carlos Guimarães, Márcia Maia (poeta pernambucana)
Neste mundo virtual, também há espaço para as crônicas, ensaios, pesquisas, história do Estado, fotos de quase todos os confrades e confreiras dessa garçonnieri potiguar. Uma das mais interessantes descrições sobre o Beco da Lama é a epígrafe do blog na internet: “Beco da Lama, o maior do mundo, tão grande que parece mais uma rua... Tal qual muçulmano que visite Meca uma vez na vida, todo natalense deve ir ao Beco libertário, Beco pai das ruas do mundo todo”. Com o lançamento do jornal impresso “O Beco”, os confrades ganham uma voz para registrar os fartos banquetes literários das almas virtuais deste mundo bequiano. Um instrumento capaz de abrir o verbo e gritar a essência da vanguarda do Beco da Lama: Poti or not Poti, that’s Potengi!
Postado por
Eduardo Alexandre
às
06:46
0
comentários
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Eduardo Alexandre
É chão
O centro da memória
Todos os fantasmas
Que descansavam entre aquelas paredes
Perambularão agora
Por aqueles becos
Que cismam ficar
Voltarão a Nasi
Ao Potiguarânia
Deixarão um dedo de prosa em Odete
Do sax do velho Mainha
Ouvirão saudosos
Doces acordes de uma praieira a cantar
Climatizado
Virá o magazine
Asséptico
No coração da cidade de plástico
Sem alma
Rico poder
Eduardo Alexandre
Não voto mais no PT.
Todo o jogo sujo da política suja brasileira, Lula e o PT abarcaram, tomaram para si.
Postado por
Eduardo Alexandre
às
05:05
0
comentários
quarta-feira, 18 de junho de 2008
REFERENCIADOR DA MENTIRA
Eu, referenciador da mentira
Eduardo Alexandre
E surge o terceiro candidato. Também da base aliada do governo Lula, do governo Wilma: Wóber, para disputar com Fátima e Micarla quem da base aliada vai governar Natal.
Outros candidatos nem parecem existir. O PSOL não terá candidato? Nem o PSTU?
Joanilson é candidato? Miguel Mossoró é candidato?
Nas páginas, o importante agora é saber para onde vão João Maia e Robinson Faria. E tem gente esperando gestos.
E a sucessão na Intendência jerimum parece não cativar a população, como se existisse um vácuo de candidatos.
Os apresentados pelas cúpulas partidárias não agradaram aos eleitores. Os eleitores, sem chamarem a si o comando de fato do jogo político, referendam a mentira republicana.
No dia aprazado, vamos estar lá nas urnas, referendando a “democracia” que vivemos.
Que democracia é esta? É a democracia do mando do capital. Manda o poder do dinheiro que erige o poder.
Hoje, como ontem, mas em mais larga escala de desmedimento, o voto é vilipendiado, o líder é peça de uso, parlamentares, executivos, resultados jurídicos, partidos são comprados.
É a democracia dos interesses grupais subordinados a altos interesses financeiros, que a tudo e a todos controla e compra, domina.
Eu, cá, elemento bobo, acredito que o meu voto é sagrado. Que a democracia existe... um dia virá!
Postado por
Eduardo Alexandre
às
16:18
0
comentários
terça-feira, 17 de junho de 2008
SUCESSÃO NA INTENDÊNCIA

A democracia socialista de Natal
Aquiles Paulo Pereira
O PSB vinha preparando Rogério Marinho para ser candidato a prefeito da cidade. Rogério era apoiado pelo grupo político da governadora e inclusive se elegera deputado federal com esse apoio.
Começa-se a falar das eleições de 2008 e candidaturas. O PT sai primeiro. Bate o pé e diz que o candidato da base aliada do governo Lula deve ser do PT.
Entabulam-se conversações, surgem pressões e um vai vai a Brasília, para se discutir Natal.
Conversas com o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB), com o atual prefeito Carlos Eduardo Alves (PSB), com a governadora Wilma (PSB).
Carlos se achava no direito de comandar o processo de sua sucessão. E foi o emissário da notícia da decisão articulada em Brasília: PT, PSB e PMDB vão se coligar em Natal e o cabeça de chapa vai vir do PT, ao qual compete indicar o nome.
Tratorada lulista, estarrecimento político em Natal.
Rogério, pré-candidato que até bem pouco tinha como certo o apoio da governadora, não aceita o acórdão da capital federal.
O PT lança o nome de Fátima.
O prefeito tinha a intenção de fazer seu sucessor. Uma pessoa dele.
A governadora queria um candidato que fosse do seu partido. Uma pessoa sua.
Saíram constrangidos do acordo, mas valeu a força da tinta da caneta presidencial: firmaram a coligação, mesmo engasgados com o sapo que haviam de engolir.
Rogério vinha comandando um processo de formação de novos filiados ao PSB. E firma que vai disputar na convenção do partido a sua indicação como candidato a prefeito de Natal.
A governadora chama para si a disputa com Rogério. O PSB vai, sim, apoiar Fátima Bezerra, do PT.
E começa a guerra jurídica na tentativa de se derrubar, na convenção do PSB, os votos dos seus novos filiados, supostamente muita gente ligada a Rogério Marinho, que comandou o processo de filiação.
E marca-se uma convenção sem tempo e espaço hábeis para uma boa condução de disputa democrática.
E ocorrem novas disputas jurídicas, que levam a convenção a espaço mais apropriado e elastecido o horário de votação dos filiados.
De todos os filiados?
Não. Aos novos filiados do PSB não foi dado o direito de votar.
E assim o processo de sucessão na Intendência Poti se inicia, sem que os da aldeia algo digam, apenas assistam o que as cúpulas partidárias determinam.
Fátima, candidata de Lula, da governadora, do presidente do Senado e do prefeito que sai deve ter como principal adversária a jornalista Micarla de Souza, do PV, e pode também encarar mais um cacareco das bandas de Mossoró.
Seria bem merecido.
Quando um não quer, dois não brigam
Rogério Marinho
Em matéria de Tribuna do Norte
Nossa posição é a do partido. Caso eu não suba no palanque da deputada Fátima Bezerra, não subirei em palanque nenhum. Eu acho que o gesto agora cabe a quem venceu. Caso eu tivesse vencido, amanhã mesmo estaria procurando a governadora, o prefeito Carlos Eduardo, para unir o partido. Vou conversar com meu grupo e aguardar o posicionamento das pessoas que venceram.Eu lamento porque essas pessoas (os novos filiados ao PSB), foram publicamente chamadas para ingressarem no partido, fizeram suas filiações à luz da sociedade, e essas filiações foram atacadas judicialmente porque não eram mais de interesse de algumas lideranças do partido.
A minha expectativa sempre foi de ganhar entre os antigos ou novos. Eu apenas achava que por uma questão de direito ou de justiça os filiados que foram convidados a ingressar no partido não tinham porque ter o seu direito subtraído porque não era mais conveniente.Em nenhum momento eu levei essa disputa para o campo pessoal. E quando um não quer, dois não brigam. Se da parte da governadora há alguma mágoa, a recíproca não é verdadeira. Nunca levei essa questão para o campo pessoal. Apenas lutei pelo direito de pensar diferente, de divergir. Por esse direito eu pago qualquer preço.
Eles podiam me oferecer tudo
Filtro da vergonha
Rogério Marinho
Em matéria de Jussara Correia, do Diário de Natal
Nesses 40 dias, quando me perguntaram qual a força que me fazia ir a diante, mesmo não tendo do meu lado os poderosos, eu respondo: obrigado Dickson, obrigado Adenúbio e Salatiel. Isso aqui é um filtro que retém as impurezas. Quem ficou aqui tem vergonha na cara. Nós somos esse partido, e eles querem impedir porque não é conveniente para eles. Hoje quando eu cheguei me perguntaram se eu era candidato de mim mesmo e o prefeito certa vez disse isso também. Mas hoje ele vai entender que eu sou candidato do PSB. Com muito respeito, serenidade, paz e cabeça erguida estamos aqui, não nos escondemos e estamos firmes.
Eles podiam me oferecer tudo, mas eu não podia trair vocês. Essa candidatura não pertence a mim. Eu era abordado nas ruas e as pessoas me pediam para eu resistir, pelo futuro da cidade. Não tem sido fácil, mas vocês são a representação de que a candidatura não é de Rogério Marinho, é de vocês. Nós tivemos que ir à justiça para pedir a ampliação do horário de votação, a mudança de local e pedir que os novos filiados pudessem votar.
Mas a notícia que eu recebi agora é que não poderão. Então, quem quiser voltar para suas casas, pode ficar à vontade, mas eu vou ficar aqui até o fim. Peço àqueles que podem votar que o façam. Esse momento é muito mais forte e por cima de nós ninguém passa. Eu nunca vou esquecer desse momento, Nunca vou esquecer o que eu senti. Vamos dar uma lição naqueles que se acham donos da consciência dos outros. Vamos da uma lição de democracia''.
Caso Lauro
Entrevista de Wilma de Faria
Ao Diário de Natal
Quero me colocar como chefe do executivo estadual. A primeira coisa que eu determinei foi que os meus secretários de Saúde desde a época do início da investigação, tanto Ruy Pereira quanto Adelmaro Cavalcanti, amanhã (hoje) concedam entrevista coletiva à imprensa explicando tudo o que aconteceu com relação a esse processo de higienização e limpeza. Eles vão, naturalmente, falar a respeito das licitações, preço, tudo o que for necessário esclarecer. Nosso governo é transparente, aberto, eu sou uma pessoa de classe média, consegui romper os grilhões nesse estado e ser a primeira mulher governadora, continuo a ser uma pessoa de classe média, tenho compromisso com a ética, tenho compromisso com as mudanças e vou continuar com esse compromisso.
Com relação ao meu filho, achei que houve um ato de muita violência porque ele tem endereço certo, as pessoas que estão ali têm endereço certo, poderiam ter sido chamadas a depor sem nenhum problema e eu naturalmente espero como mãe e cidadã, a sua inocência.
Eu sempre tenho momentos difíceis na minha vida pública. A minha vida pública sempre foi assim. A cada momento, a cada passo que eu dou, são passos difíceis. Porque eu sempre quero o caminho mais certo. E o caminho mais certo é o mais difícil.
Vou passar a semana trabalhando inaugurando obras. Vou inaugurar a estrada de Maxaranguape, vou inaugurar a estrada de Areia Branca a Porto do Mangue, vou inaugurar a Ilha de Sant’Ana, em Caicó, vou continuar trabalhando. Amanhã tenho que assinar em Brasília dois contratos do Banco Mundial. Vou continuar trabalhando normalmente. Porque a minha dor e a minha preocupação em relação ao fato existem, evidente, eu sou de carne e osso. Mas eu vou continuar cumprindo o meu dever como governadora.
A mudança do secretariado vai sair nesta semana.
Postado por
Eduardo Alexandre
às
09:48
0
comentários
domingo, 20 de janeiro de 2008
SANGUE TUPI
TUPI
Pouco se sabe sobre a origem dos índios que dominavam este território quando da chegada dos europeus. Pode-se dizer que a faixa litorânea era ocupada por índios agricultores, do grupo lingüístico Tupi. Chegaram à região entre os anos 500 e 1000 de nossa era. Os índios encontrados pela frota de Cabral, na Bahia, eram dessa etnia.
Eram sedentários, bem organizados socialmente, bons canoeiros e antropófagos, isto é, comiam carne humana, de maneira ritualística. Orgulhosos, bons guerreiros, hábeis no arco e na flecha, bem como no uso da borduna, um tacape de madeira dura.
Expulsaram os índios tapuias para o interior. Seu principal plantio era o da mandioca, com a qual produziam farinha. Sua cerâmica tinha influências da cultura marajoara, da Amazônia.
Os índios potiguares, que eram Tupi, dominavam toda a costa litorânea do Estado e grande parte do litoral cearense. Possuíam grandes aldeias, como a de Igapó, a de Macaíba, e as que margeavam a Lagoa de Guaraíras, assim como aquelas da região de Georgino Avelino e do rio Curimataú.
O Tupi, no decorrer do tempo, irá misturar-se, biológica e culturalmente, com os colonos europeus, ou com os escravos negros, a depender da maior ou menor posição na estrutura social da época. Houve mistura racial a partir dos mais nobres dos portugueses, aqui radicados, até o menos conhecido dos soldados. É bom salientar que estudos recentes, baseados na comparação de componentes do DNA, demonstraram ser bastante expressiva a contribuição do sangue indígena na população branca do Brasil. No Nordeste, por exemplo, o percentual dessa miscigenação racial ultrapassaria 60 %. No sul, estaria acima de 45%.
Esses índios foram elementos importantes e eficientes nas tropas portuguesas, tendo tomado parte, praticamente, em todas as guerras, lutas e campanhas coloniais, tanto no Brasil quanto em outras colônias lusitanas na África. Guerreiros versáteis formaram as forças auxiliares que atuaram na conquista e na expansão européia de nossa região. Não se deve esquecer que as famosas tropas de sertanistas paulistas – desde as primeiras bandeiras – eram formadas de mamelucos (índio e branco) e de índios puros. A maior parte deles era Tupi, ou formada de seus descendentes.
TAPUIAS
O sertão abrigava uma enormidade de grupos de variados tamanhos, os quais falavam línguas diversas, e eram conhecidos pelo nome genérico de tapuias ou tapuios. Esse nome nada mais representa do que a maneira com que o Tupi denominava a todo e qualquer indígena que não falasse o idioma túpico. Os tapuias dividiam entre eles algumas características homogêneas adquiridas na luta pela sobrevivência em um meio-ambiente freqüentemente hostil ao homem.
As tribos tapuias eram temidas por todos os demais indígenas. Eram diferentes em suas maneiras de ser. Corredores incansáveis e velozes, somente os animais podiam competir com eles. Astutos e cheios de manhas, preparavam emboscadas e armadilhas para os outros. O vigor físico e a valentia desses guerreiros sempre foram características admiradas e respeitadas pelo restante dos indígenas. Eram silenciosos e cautelosos quando iam à guerra. Ao avistarem seus inimigos arremetiam contra eles numa rapidez sem igual. O barulho que faziam, então, era ouvido ao longe, por entre as ramagens da caatinga ou da mata litorânea.
Exímios flecheiros, suas flechas certeiras eram letais. Excelentes rastreadores seguiam os inimigos por lugares difíceis e ásperos. Conhecedores dos terrenos que palmilhavam, reconheciam todos os seus acidentes, o que lhes permitia aparecer de surpresa por sobre as tropas européias.
Era típico de algumas tribos – dos janduís, por exemplo – o uso de propulsores de arremesso. Construídos em madeira, esses instrumentos de lançamento de dardos, podiam multiplicar por dez a força de impacto, sem perda da precisão no atingir o alvo. Os dardos, geralmente, tinham pontas de pedra cortantes que atravessavam o corpo de um homem.
Um aspecto peculiar desses indígenas foi sua adaptação à maneira do europeu lutar. Ela incluía o perfeito conhecimento do manejo dos diversos tipos de armas de fogo. Esta característica será a grande responsável pela vigorosa resistência que eles irão impor aos portugueses durante mais de 25 anos nos sertões do Rio Grande do Norte e Ceará. Esta resistência – o Levante do Gentio Tapuia – era, anteriormente chamada, errônea e preconceituosamente, de Guerra dos Bárbaros (Séc. XVII-XVIII).
Muitos índios tiveram papel de destaque tanto na conquista da terra auxiliando os europeus, quanto na resistência à colonização do território. Nunca são lembrados, em que pese os indígenas terem sido sempre, em quase todas as circunstâncias, os responsáveis pelo sucesso da dominação européia da terra brasileira. Seja como o principal contingente guerreiro – em quantidade e em qualidade – quanto pelos ensinamentos de como sobreviver em um ambiente tropical, completamente diverso do ambiente da Europa.
Os documentos históricos estão repletos de nomes nativos, nomes que os livros de história teimam em não fazer conhecidos, mas cuja memória merece igual respeito ao menos do que qualquer prócere português.
Assim, nessas terras soaram milhares de vezes o som de chamada de um Itaobo, Pirangibe, Paraguassu, Zorobabé, Ibiratinim, Metaraobi, Ipanguaçu, Jaguarari, Canindé, Janduí, dentre centenas de outros.
Postado por
Eduardo Alexandre
às
10:01
3
comentários


