quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

DEU PRAIA

FRASE DO DIA

Do Blog do Noblat

“Vocês são muito cruéis. Todo mundo tem direito de ir à praia, menos os senadores? Não estou entendendo a democracia de vocês.”

Garibaldi Alves (PMDB), presidente do Senado


Arte contemporânea de Gandhi causa confusão na FJA

10/01/2008 - Tribuna do Norte

Rafael Duarte - Repórter

A arte contemporânea baixou na Fundação José Augusto esta semana e causou um alvoroço daqueles. A maioria dos funcionários do órgão não entendeu a mensagem do artista visual Marcelo Gandhi na exposição "Site Specific - Lugar específico" e desmereceu o trabalho sem questionar a proposta. Essa, por sinal, é a principal reclamação do artista potiguar, de 32 anos, que está de mala pronta para São Paulo, onde pretende continuar o trabalho que já desenvolve no coletivo paulista de arte contemporânea Ação Multiplicadora, formado por oito paulistas, um cearense e o potiguar.

Usando elementos como tinta lavável, nanquim, lápis, retroprojetor, DVD, embalagem de loja, foto, rascunho e impressão, Marcelo Gandhi levou para a galeria Newton Navarro um mundo urbano ao mesmo tempo particular e generalista. Frases, desenhos e os símbolos estão espalhados pelas paredes da FJA. "Passei dez anos coletando a grafia, sabia o que queria usar. Coloquei uma coluna vertebral, sorvete, foi pensado para fazer ali dentro da galeria. Coloquei vários fragmentos que também se unem também nessa dicotomia", afirmou.

Ele garante que não vai frustrado com o que chama de "atraso" de Natal em relação às outras capitais do País. "Natal nunca me parou com o provincianismo dela. Sinto-me realizado aqui e vou continuar realizando em outros lugares. Essa exposição traz grandes debates, boas discussões sobre o espaço da galeria, arte formal, desinformação das pessoas, problemática das instituições e identidade potiguar", refletiu.

Polêmica, a exposição "Site Specific" fica em cartaz até 31 de janeiro na galeria Newton Navarro, localizada no hall de entrada da Fundação José Augusto.

Segundo Gandhi, a Natal que é moderna para vários segmentos artísticos ficou para trás em relação à arte contemporânea. "Natal aceita todo o tipo de porcaria pop, enlatada e industrial de forma muito rápida. As pessoas aqui têm dificuldade em aceitar a arte

contemporânea. Isso é no Brasil todo, mas lá fora está mais avançado. Aqui é aquela rigidez, fica difícil. Na minha exposição, os funcionários da Fundação José Augusto se sentiram agredidos, disseram que não era arte. Mas em nenhum momento questionaram o trabalho, foi

tudo num nível raso. Mas essa polêmica é interessante porque desperta esse debate", analisa.

Segundo a artista plástica Sayonara Alves, Gandhi quis manter um diálogo com a cidade. "Marcelo levou o cotidiano para a galeria. Por isso causou a incompreensão da arte. Quando você está quebrando uma barreira, ainda mais num órgão público, acaba incompreendido", disse.

Serviço:

Exposição "Site Specific - Lugar específico", de Marcelo Gandhi, até

31 de janeiro, na galeria Newton Navarro (Fundação José Augusto).

Entrada franca.



No Blog de Canindé Soares, a foto da arte fotográfica em rua de comunidade.

Festa no Maruin

09/01/2008

Foto: Adrovando Claro
maruin2.jpg

Moradores da comunidade observam as fotos no varal e depois recebem de presente.

Sucesso ontem na comunidade do Maruin. Distribuição e sorteios de sextas básicas, brinquedos , balas, pipocas e doces, doados por fotógrafos que participaram do evento.

Adrovando Claro, Claudio Marques, Assis Oliveira, Alex Lima, Tyrone, Clovis Tinoco, Priscila Soares, Antonio Carlos Junior, Ney Douglas, Canindé Soares e Jailson Fernandes.

Também foi montado um varal fotográfico com fotos feitas dia 19 de agosto do ano passado, dos moradores as quais foram doadas aos fotografados.




Deu no Diário:

Arraia gigante agoniza e morre em Ponta Negra

Ana Amaral/DN
O animal foi golpeado deiversas vezes pelos pescadores que tentaram tirar a arraia do mar e retalhar o pescado
Uma arraia de aproximadamente três metros de largura e um metro e meio de comprimento virou atração turística durante todo o dia de ontem na praia de Ponta Negra. O animal, da espécie manta birostris, apareceu preso à rede de pescadores e foi muito maltratado durante toda a manhã até a chegada da Polícia Ambiental e do Corpo de Bombeiros e não resistiu aos ferimentos morrendo por volta das 15h. Uma pessoa foi presa com um arpão e notificada por crime ambiental.

Mais: http://www.dnonline.com.br/parceiros.php?url=http://diariodenatal.dnonline.com.br/index2.php


Viiixeee...
Da Abelhinha Eliana Lima, na Tribuna:
Estremece

Mais um ponto de indisposição entre governo e prefeitura: segurança na área do turismo.

Tudo porque o secretário Carlos Castim (Defesa Social) conseguiu, junto à Secretaria de Infra-Estrutura, o antigo canteiro de obras da ponte Newton Navarro para sede da Companhia de Policiamento Turístico da PM - considerado favorável por ser um dos principais corredores turísticos de Natal.

Estremece (2)

Maaasss...o local é dos mais cobiçados por empresários do setor imobiliário e - pasmem! -pela Prefeitura, que pediu a retirada da unidade policial, alegando pendências judiciais. Viiixeee...

Resultado:

Agora, a Companhia de Turismo mudou-se para duas salas no Quartel do Comando Geral, enquanto a população pede a polícia do turismo nas praias. E o prefeito Carlos Eduardo está contra a segurança?

Perigo

O prefeito sabe que aquela área é de extremo perigo. Vira e mexe, turistas e adeptos da caminhada são assaltados por lá. E olha que o prefeito caminha diariamente até aquela área.

É, mas talvez não se preocupe porque está protegido por seguranças...

Mais Eliana Lima, no
http://tribunadonorte.com.br/coluna2028.html



Só uma piadianha, gente.

QUAL É O MELHOR ESTADO BRASILEIRO?

Cinco amigos, um carioca, um paulista, um mineiro, um capixaba e um natalense estão tomando cerveja em um bar e inicia-se uma discussão interminável de qual seria o melhor Estado do Brasil.

O carioca logo saiu dizendo:

- Não há dúvida. O Rio é o melhor: tem a cidade mais bela do mundo, o povo mais alegre, muito sol, futebol, carnaval e as mulheres mais quentes do Brasil. E tem o Garotinho.

O paulista, engasgado pela dianteira do carioca, disse:

- Não tem a menor dúvida que é São Paulo, pois é a usina que movimenta o Brasil, tem a maior metrópole da América Latina, o povo mais trabalhador, mais rico, e tem o Lula.

Rapidinho, o mineiro defendeu seu pão de queijo:

- Minas sô, não tem praia, mas tá perto. Tem a melhor culinária, a melhor cachaça, e também tem Itamar Franco.

Depois o capixaba:

- O melhor é o Espírito Santo: tem praia, tem moqueca, tem o petróleo, tem Vitória e tem a Rita Camata.

Como o Natalense não se manifestou, os outros perguntaram:

- E aí, Potiguar, por que está tão quieto? Qual é a tua opinião?

O Potiguar/natalense finalmente respondeu:

- Para mim é a Paraiba, o melhor Estado.

- Ué, Cara! Não vai defender o teu Estado? Por que a Paraíba?

- Porque é a Paraíba que separa o Rio Grande do Norte de todos esses aí de baixo!

A II INVASÃO EUROPÉIA

Glorioso time do ABC. Você saberia escalar a equipe?
De Edmo, editor de esportes do Diário de Natal:
Sabará, Hélio Show, Domício, Joel Ribeiro (Joel da Muqueca), Maranhão e Anchieta.
Agachados: Noé Silva, Amauri, Alberi, Danilo e Noé Soares.


INVASÕES BÁRBARAS

Do Blog do Ailton


Li, não lembro onde, que Clotilde Tavares (lembram dela?) ficou escandalizada com o megaresort que os espanhóis vão construir na Taba.

Clotilde, cuja maior virtude é ser irmã do talentoso Bráudlio Tavares, sugeriu um movimento “apartidário” para expulsar os “instrangeiros” da Taba.

Vou logo avisando que nessa guerra profana estou do lado dos gringos. Não vejo saída mais inteligente e sensata para civilizar os bárbaros que vivem à margem do Potengi que ceder de corpo e alma aos encantos do capitalismo.

O que seria Nova York sem judeus e irlandeses? E São Paulo sem os italianos?

Por favor, me inclua fora dessa babaquice de que temos de preservar nossos bosques e nossas dunas, este discurso só interessa aos políticos cuja carreira é pautada na apologia da pobreza.

A maioria das pessoas quer bem-estar, conforto, celular, computador, educação, saúde, internet, e o que a vida moderna possa oferecer de melhor.

Quem tiver de saco cheio faça como Chapeuzinho Vermelho, vá passear na Floresta. Mas cuidado com o Lobo Mau.

Minha torcida é para que Clotilde Tavares permaneça lá.

Aqui em Ponta Negra, prefiro a companhia de espanhóis, noruegueses, franceses, dinamarqueses, suecos, americanos, russos, poloneses, chineses.

O mundo virou uma aldeia global desde que um engraçado decidiu abandonar a vida entediante da caverna.

Tem gente que não se conforma com isso.

Prefere ver o mundo mergulhado nas trevas.

Ailton Medeiros



Caviar, champanhe e Ministério Público

João Moreira Salles, Revista Piaui

Natal, capital do Rio Grande do Norte, não é exatamente um celeiro de celebridades. Com exceção da top model Fernanda Tavares, a fama dos personagens nativos corre na faixa que vai da Paraíba ao Ceará. Mas, se o nordestino é um forte, o colunista social potiguar é um hércules. A pobreza da lavra não o impede de suar o rosto nas minas exíguas do jornalismo de sociedade. O ouro é pouco; a concorrência, imensa. Espalhados por jornais, rádios e tevês, o contingente de colunistas potiguares é forte de cerca de noventa almas.

O vespeiro se alimenta das festas, farras, intrigas, políticas e segredos de alcova dos personagens que a tradição local organiza em três castas: os jets (dotados de classe e dinheiro), os pibs (com mais dinheiro que classe) e os pebas (sem nenhum dos dois). Nas últimas semanas, entretanto, o que se viu em Natal foi uma inversão das coisas. Nem jets, nem pibs, nem pebas produziram as notícias mais apetitosas da estação. Saborosos mesmo se saíram os colunistas.

Houve o episódio no restaurante italiano. Ainda que muitos nomes robustos da sociedade estivessem matando ali a sua fome, o que atraiu olhos e ouvidos foram os gritos que cruzaram o salão:

"Vagabunda! Você é uma va-ga-bun-da!" O autor da crítica mordaz era um dos decanos do colunismo local. A vítima dos ataques, uma sua colega de profissão, Eliana Lima, que acabava de ser contratada, a peso de ouro, para dar expediente no mesmo jornal em que o agressor reinava absoluto. Ele agora teria de dividir com a intrusa a página em que mandava e desmandava havia duas décadas. Donde o epíteto eloqüente: "Va-ga-bun-da!" A moça, jovem e bonita, é conhecida por haver modernizado a crônica social potiguar — "seguindo a escola da Mônica Bergamo, querido".

Mas o caso Vagabunda! é trivial perto do affaire Hilneth Correia, uma senhora de larga circunferência e feição bonachona que se proclama embaixatriz do Rio Grande do Norte. Hilneth é a mais querida colunista da cidade. Jamais imaginaria que alguém do mesmo ofício pudesse magoá-la tanto — principalmente um "jornalistazinho jovem, sem história nem procedência nenhuma", segundo palavras da própria. Em suma, um peba. Pois foi o que aconteceu.

Rodrigo Levino, o jornalista sem procedência, 25 anos, editor de cultura do jornal JH Primeira Edição, entregou-se durante uma semana à tarefa de denunciar o patrocínio do governo do estado e da prefeitura de Natal à festa de quarenta anos de colunismo social de Hilneth. Com o título Celebration, o rega-bofe foi anunciado em outdoors pela cidade. Numa clara prova de falta do que fazer, Levino espalhou pela cidade, via e-mail, as logomarcas oficiais que acompanhavam os anúncios. Insistia que se estava diante de uma farra privada regada a verba pública. Exigia explicações.

Hilneth explicou. Na sua coluna na Tribuna do Norte, ensinou que o patrocínio, chamado de "master", era uma forma de divulgar as belezas e os atrativos de Natal "pelo sudeste-maravilha afora". A um custo "ínfimo", o governo e a prefeitura se responsabilizariam pelas passagens aéreas, hospedagem e city tours de personalidades como Bruno Chateaubriand, Hildegard Angel, Glorinha Távora, Madeleine Saad, André Ramos, Luiz Felipe Francisco, Miriam Galhardi e Liliana Rodrigues. Tratava-se de uma estratégia notável, cuja conseqüência natural seria propaganda turística de altíssimo cacife nas rodas do jet set Rio–São Paulo.

A explicação não impediu que o Ministério Público Estadual se interessasse pelo assunto. O procurador de Justiça, através do promotor de Defesa do Patrimônio Público, recomendou a abertura de investigação. De uma hora para outra, produziu-se o impensável: estado, prefeitura e Hilneth não escaparam de prestar esclarecimentos à Justiça. Como se não fosse horror suficiente, a colunista ainda teve de se haver com a ameaça de Levino. O jornalista anunciou que, sendo a festa bancada por dinheiro público, ele alugaria um caminhão e recolheria os pobres, desdentados, feios e sujos da cidade, para que pudessem todos desfrutar da Celebration. Hilneth quase infartou. "Despeitado! Invejoso!", classificou, aos prantos.

Encurralados pelo Ministério Público, os poderes locais acabaram suspendendo o patrocínio. De última hora, e para tristeza da boa sociedade potiguar, quase todos os VIPs desistiram de ir a Natal. Sem a boca-livre da patronagem oficial, não houve disposição que resistisse. Adeus Bruno Chateaubriand, André Ramos, Hildegard Angel, Liliana Rodrigues. Hilneth não se deixou abater. Enfrentou a desdita com bravura e estoicismo. "Imagine, dar satisfação à Justiça como se eu fosse uma pessoa má", murmurava no camarim da Celebration. "Logo eu, com quarenta anos de história no jornalismo potiguar."

Com vinte manobristas, quarenta garçons, quatro telões, cinco bufês diferentes, prosecco Pol Clement e uísque Old Parr (doze anos, a gosto), a Celebration foi animada com show das Frenéticas. Ao som de "Eu sei que eu sou/ bonita e gostosa" e "Abra as suas asas/ solte as suas pernas", os convidados fincavam os olhos nos três bravos semidesconhecidos que tinham vindo do sul prestar solidariedade à embaixatriz potiguar. Madeleine Saad, Glorinha Távora e o desembargador carioca Luiz Felipe Francisco foram recebidos com deferência. Não tiveram de pagar 110 reais pela pulseirinha que dava acesso à festa. O magistrado, bem mais contido do que a expansiva Madeleine, observava os requebros tomando doses e doses de caipifruta de cajá com kiwi. A discrição se manteve até o momento em que ele foi abordado pela drag queen Danuza D'Salles, a hostess da celebração. Daí para a pista de dança, foram dois passos. Luiz Felipe Francisco não dança bem.

À medida que a noite avançava, uma angústia começou a pesar sobre o salão. Não que se comentasse em voz alta. Seria fulminar a anfitriã, a essa altura com os nervos à flor da pele. De orelha em orelha, cochichava-se: "Será que vai chegar a caçamba de pobres?"

Não chegou. De mesa em mesa, aliviada, Hilneth agradeceu a todos pela atenção, pelo carinho e pela alegria de suas quatro décadas de crônica social. Na coluna do dia 18 de novembro, arrematou: "Eu tive qualidade e quantidade".



O aquecimento global e a pescaria

Leonardo Sodré, Becopress.blogspot.com


A conversa rolava no bar Azulão naquele sábado. Não havia muitos freqüentadores porque nos meses de verão a maioria deles se muda para as praias de veraneio. A conversas se sucediam. Desde a desastrada entrevista de José Dirceu a Revista Piauí, até os aumentos de alguns impostos após a extinção da CPMF, terminando por se falar no recorrente aquecimento global, que tem preocupado todo o mundo.

Na mesa onde estavam o médico Jair Navarro e o dentista Lenilson Carvalho, o papo era sobre comida. Lenilson descrevia os sabores de uma carne de Jacaré, mas acrescentava, brincando diante do olhar curioso do mecânico aposentado Carlinhos Pacheco:

- Agora, jacaré é bom quando você mesmo pega o bicho...

- Espere aí – interveio Jair Navarro -, e você já pegou um jacaré?

- Claro (piscando um olho para mim)!

A essa altura, todos os freqüentadores estavam “antenados” na conversa e as risadas tomaram conta do ambiente. E Lenilson continuou a descrever as delícias de um carne de jacaré na brasa, como se o fato de caçar um bicho daqueles fosse de menor importância.

Jair Navarro apenas acrescentou rindo:

- Como aqui no Azulão ninguém desmente ninguém, a história fica como verdadeira.

Depois da história do jacaré, o assunto descambou para o aquecimento global. Jair, muito sério, alertou:

- Lenilson, se eu fosse você vendia aquela casa na beira-mar de Muriú, porque o mar está subindo e vai terminar lhe dando um baita prejuízo. Faça como eu, vá para uma rua mais afastada.

- Vendo nada! Depois desse aquecimento global estou pescando mais do que nunca!

- Como assim? Agora a pergunta era minha.

- Ora, eu espero a maré encher, pego um fogão de duas bocas, uma panela cheia de óleo e fico somente esperando a onda bater no muro lá de casa, com as duas mãos espalmadas – e mostrou as mãos abertas . É batata! Vez por outra, vem um xarelete, um barbudo, já caiu até pâmpano... Depois, é só ir botando os peixes na panela, fritando e comendo, acompanhado de umas cervejinhas. Esse negócio de aquecimento global foi muito bom para as minhas pescarias!

Quando as gargalhadas foram diminuindo, Jair Navarro sentenciou.

- Dequinha! Traga caneta e papel, porque essa foi demais! Precisamos mudar os estatutos do Azulão antes de terminar o veraneio.



CARNAVAL - DEU NA TRIBUNA


Moraes Moreira e Alcione estarão no carnaval de Natal

Alex Régis

CARNAVAL - Moraes é um dos maiores compositores de frevo
09/01/2008 - Tribuna do Norte


A Capitania das Artes decidiu manter na cidade, durante o carnaval, não só os canavalescos mais fiéis, mas também os fãs de Moraes Moreira e Alcione. Quem curte o som do baiano e da Marrom têm um motivo a mais para passar a folia de momo nos pólos organizados pela prefeitura de Natal este ano que homenageia ninguém menos que Raimundo Brasil, um dos maiores caciques que mantém viva a tradição do desfile das tribos indígenas no carnaval natalense.

Enquanto Alcione se apresenta no domingo de carnaval, logo após o tradicional desfile das Kenga´s, na Cidade Alta, Moraes Moreira canta um dia antes, no sábado, para a turma de Ponta Negra que comprou a idéia divertida do bloco “Bruxas, Carecas e Lobisomens”, que ainda terá Khrystal, Diogo das Virgens e Isaque Galvão.

Segundo o presidente da FUNCARTE, Dácio Galvão, a sugestão de Alcione partiu do próprio bloco das Kenga´s. “Acatamos essa sugestão até por achar que mesmo maranhense, Alcione representa a sambada carioca.

Vamos levar o Moraes Moreira para o pólo de Ponta Negra, aquela coisa do carnaval baiano. Estamos quase fechando, ainda não é certo, o Vassourinhas, que queremos levar para a Redinha, até porque tem a ver com aquela história dos blocos, enfim”, afirmou o presidente da Funcarte.

Sobre a escolha de Raimundo Brasil como homenageado do carnaval 2008 (ano passado a prefeitura celebrou os 100 anos do frevo estendendo o tapete vermelho para o compositor potiguar Dosinho), ele afirma que é mais que justa.

“Raimundo Brasil é um grande carnavalesco do bairro das Rocas, numa época em que o bairro era formado por estivadores, e consolidou o carnaval de índios, uma peculiaridade de Natal. Ele tem mais de 70 anos e resolvemos tirá-lo do anonimato por essa causa devotada ao carnaval de Natal”, disse.

Indagado se haveria uma programação especial no desfile das tribos de índios pela Prefeitura, Galvão diz que nada está programado. “Não tem nenhum cerimonial programado nesse sentido. Certo é que ele estará conosco durante as visitações aos pólos da festa, baile de máscaras, vai cumprir essa agenda conosco”, contou.

Ele diz que vem sentindo um crescimento grande do carnaval na cidade, principalmente entre 2006 e 2007, mas ressalta que não é apenas o poder público quem vai fazer a festa acontecer. “O que a gente sente, acompanhando essas duas últimas edições, que há um crescimento grande de 2006 para 2007. É necessário investir, mas tem que haver também a sensibilidade do cidadão. . O carnaval é feito dentro da espontaneidade dos foliões”.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

PREFEITO NA PRAIA

Prefeito conversa com fotógrafos na praia

Do grandeponto.blogspot.com

Aqui: Alexandro Gurgel


Nesse domingo, durante o “Passeio Fotográfico Ecológico”, na praia de Pirangi, o grupo de bravos fotógrafos da Associação Potiguar de Fotografia encontrou o prefeito de Natal, Carlos Eduardo, curtindo a praia com sua família. Ele cumprimentou a todos e perguntou o que estavam fazendo por lá. Como presidente da Aphoto, Alexandro Gurgel foi logo falando sobre a associação de fotógrafos e as comemorações para o Dia Nacional da Fotografia.

Alexandro aproveitou para cobrar um prêmio de fotografia durante o Natal em Natal. Relateou que a Aphoto promoveu uma caminhada natalina noturna para fotografar a decoração da cidade e as fachadas dos prédios iluminados. Lembrou que a Prefeitura do Natal oferecia um prêmio para as empresas privadas que caprichavam na decoração nas suas fachadas, mas quando o Natal passar e a decoração for retirada, o que vai sobrar para contar a história do natal passado são as fotos captadas pelos membros da Aphoto.

Carlos Eduardo prometeu estudar o caso. Ele ainda prometeu uma audiência com o secretário de cultura, Dácio Galvão, para ver a possibilidade de encaixar a fotografia na programação oficial do Natal em Natal esse ano, como já acontece com artes plásticas, cinema, literatura e música.

DA SEX CLÔ


Minha gente,
Vejam como o turismo está entrando no Rio Grande do Norte: de-sen-fre-a-da-men-te!
Só estou pensando onde é que eu vou morar quando isso começar a acontecer na Paraíba...
Há 15 dias, Antonio Banderas esteve em Natal para gravar a propaganda do tal resort que será veiculada na Europa.

Clotilde,
candidata a vizinha de Zabé da Loca.


Megaresort ameaça duna, diz Promotoria

Ministério Público investiga se empreendimento de 35 mil casas no Rio Grande do Norte irá ainda afetar infra-estrutura local
Previsão é que obras tenham início em março; jogador Ronaldo e ator Antonio Banderas fazem propaganda do condomínio na Espanha

JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DA AGÊNCIA FOLHA
A "Duna Dourada", um dos principais pontos turísticos do Rio Grande do Norte, está ameaçada pela construção de um megaresort, com 35 mil casas, perto de Natal. A denúncia é do Ministério Público.

O "Grand Natal Golf", iniciativa de uma empresa espanhola, é considerado pelo governo federal o maior projeto imobiliário
turístico do país. Seus números são comparáveis aos de uma grande cidade: dentro de cerca de dez anos, serão aproximadamente 35 mil casas, que poderão abrigar até 166 mil pessoas. Natal, por exemplo, tem 750 mil moradores, segundo o IBGE.

A Promotoria do Rio Grande do Norte investiga se o empreendimento irá trazer, além do desaparecimento da duna, o esgotamento da infra-estrutura local e o acirramento das diferenças sociais.

A obra já ganhou a licença prévia do Idema, o órgão ambiental estadual, e as obras estão previstas para março.

Na Espanha, a reserva de casas por parte dos interessados já começou. As vendas têm como garotos-propaganda o jogador de futebol Ronaldo e o ator espanhol Antonio Banderas. O público-alvo é europeu, e o slogan é "deixe-se seduzir pela magia brasileira".

Mas, para a promotora Ethel Ribeiro, da cidade de Extremoz, que sediará parte do empreendimento - outra parte fica em Ceará-Mirim -, há a possibilidade de que a "Duna Dourada", que está na área onde será feito o megaresort, possa desaparecer. Por não ser vegetada, ela pode ter, legalmente, 20% de sua área construída. Mas uma edificação pode, por exemplo, bloquear os ventos.

"Estamos tentando discutir isso agora, porque quando a obra começa fica muito difícil de parar."

Caso a duna seja afetada, diz, haverá também uma perda da fauna e da flora, além do risco de estragar um cenário que hoje é considerado paradisíaco.

Os empreendedores afirmam que a duna continuará "intocada". O Idema diz que criou uma comissão especial para acompanhar a maneira como essas formações se transformarão com obras como essa.

A promotora também diz que é preciso avaliar bem como serão criadas as condições sanitárias e sociais para prover a população que passará a viver, gradativamente, ali.

Ela diz suspeitar que não haja escolas, hospitais ou policiais para lidar com esse crescimento, que poderá também sobrecarregar o saneamento básico da área, que hoje já é considerado ruim - apenas 33% de Natal tem rede de esgoto.

Outra possibilidade, afirma, é que as obras não consigam absorver o fluxo migratório da população.

Para o governo estadual, no entanto, a expectativa é inversa. Segundo o secretário de Turismo, Fernando Fernandes, a obra deve gerar ao menos 100 mil postos de trabalho na área hoteleira e da construção civil, e, assim, desenvolver a região ao norte de Natal.

Com o "boom" turístico no Rio Grande do Norte, o Ministério Público investiga suspeita de que vereadores de Natal teriam sido beneficiados por empreiteiras para favorecê-las durante a votação do Plano Diretor da cidade, em 2007. A investigação não foi concluída.

DIÁRIO DE NATAL, HOJE

Empreendimento já beneficia a região

Gerente de projetos da Sociedade Potiguar de Empreendimentos Ltda. (Spel), o espanhol Hugo Bueno diz que o projeto do Grand Natal Golf sempre foi pautado pela responsabilidade sócio-ambiental. A Spel é proprietária do terreno onde o grupo Sánchez desenvolve o projeto imobiliário, nas praias de Jacumã e Pitangui.

‘‘Quando chegamos à região, há 17 anos, fizemos uma audiência com a comunidade local e perguntamos às pessoas quais eram as suas principais necessidades, e elas nos responderam: saúde, emprego e educação. Quinze dias depois fizemos a Escola das Dunas, que até hoje já beneficiou 3 mil pessoas’’, diz Bueno sobre um projeto de educação formal e ambiental.

Hugo Bueno assegura que, dos quatro projetos de educação ambiental que foram apresentados no Rio de Janeiro durante a Eco-92, o único que persiste é o da Escola das Dunas. ‘‘Antes os professores das escolas públicas em Pitangui eram de Natal. Hoje o quadro docente dessas escolas é composto totalmente por ex-alunos do projeto’’.

Ele declara que o Grand Natal Golf promoverá ‘‘justamente o contrário’’ do que chamam de ‘‘acirramento das diferenças sociais’’ . ‘‘Vamos absorver mão-de-obra da comunidade tanto no período construtivo quanto no funcionamento do resort’’, adianta.

O empreendedor segue citando as ações sociais da Spel dizendo que as primeiras pessoas a participarem do projeto Universidade para a Terceira Idade, da Universidade Potiguar (UnP), foram ‘‘as senhoras de Pitangui’’. O empresário Paulo de Paula, um dos sócios da UnP, também tem participação na Spel.

Bueno enfatizou o rigor com que segue a legislação ambiental. ‘‘A cada mudança de uma lei ambiental, nos adequamos. Mesmo que pudéssemos seguir a legislação anterior’’, destaca.

Sobre o receio de uma associação de bugueiros de que o Grand Natal Golf vá atrapalhar esta atividade profissional, Hugo Bueno explica que a obra não vai afetar o formato das dunas. ‘‘Pelo contrário, nós temos há muito tempo um projeto de fixação das dunas que utiliza palhas de coqueiro, transmitindo material nutritivo para outras plantas darem sustentação à areia’’, argumenta.

Ele informa que no dia 19 de dezembro a licença prévia do resort foi aprovada no Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema). Em dez anos, serão construídas 30 mil casas, com blocos de três pavimentos. ‘‘Se as casas lotarem, no máximo irão residir na região 70 mil pessoas. O índice de adensamento da Vila de Pitangui é muito maior do que o do Grand Natal Golf’’.

De acordo com o gerente de projetos, o projeto utiliza cinco vezes menos o potencial construtivo determinado pelas prefeituras de Extremoz e Ceará-Mirim. ‘‘O coeficiente de aproveitamento dos planos diretores destes municípios é de 1.25. O nosso será de 0.2’’. O índice mede o quanto se pode construir em um terreno. Por exemplo, nos dois municípios, em um terreno de 100 metros quadrados pode-se ter uma área construida de 125 metros quadrados. O início das obras da primeira parte do Grand Natal Golf está previsto para março.


Empreendimento tem licenciamentos do Idema

De acordo com a coordneadora de meio ambiente do Idema, Ivanosca Rocha Miranda, o processo completo do projeto Grand Natal Golf foi enviado à Promotoria de Extremoz na sexta-feira da semana passada. ‘‘Deve chegar de hoje (ontem) para amanhã (hoje)’’, disse ela, esclarecendo que até agora o Idema emitiu ao Grupo Sanches, além da licença prévia, a licença de instalação de um acesso de 2,5 quilômetros.

Sobre o impacto negativo que a obra poderia causa à região, Ivanosca Miranda disse que durante a audiência pública todas as questões foram tratadas. ‘‘Houve uma participação maciça e todas as contribuições foram incorporadas ao processo’’, afirmou.

Segundo a representante do Idema, a acessibidade da praia não será afetada porque o projeto contempla áreas com essa finalidade. Com relação ao esgotamento sanitário, ela disse que o projeto prevê a reutilização e reaproveitamento de efluentes. Já a questão do desaparecimento da duna, Miranda explicou que o Grupo Sanchez vai utilizar uma área menor do que permite a legislação. ‘‘A lei permite a construção de empreendimentos turísitos em até 20% das dunas móveis. A empresa vai utilizar menos de 17%’’, informou Ivanosca Miranda, acrescentando que o projeto passou por um estudo da fauna costeira da região.


Renato Lisboa e Viktor Vidal
Da equipe do Diário de Natal

DN OLINE

07/01/2008 - 14:30
Desaparecimento de turista no mar deixa banhistas em alerta

O desaparecimento do estudante paulista André Ferreira, na última quarta-feira, deixou banhistas em estado de alerta. Até onde as praias do Rio Grande do Norte são ou estão seguras? Após suspender as buscas, mantendo apenas o efetivo de guarda-vidas em alerta caso o corpo seja localizado ao longo da costa potiguar, o Corpo de Bombeiros orienta a população sobre os riscos de afogamento em áreas desconhecidas. De acordo com o major Luiz Monteiro, que comanda as operações de busca na corporação, 99% dos casos de afogamento envolvem turistas, seja de cidades próximas a Natal, seja de outros estados ou países.

Para ele, os banhistas devem ficar atentos à sinalização e à presença de guarda-vidas na praia, o que já indica área de risco. Além disso, os bombeiros fazem a distribuição de panfletos informativos com orientações para prevenir acidentes. ``O guarda-vidas passa o tempo todo abordando as pessoas, principalmente se o banhista estiver muito afoito'', disse o major Monteiro. No caso das bandeiras indicativas, que não são encontradas nas principais praias urbanas de Natal, o problema é a ``concorrência'' com os comerciantes, que costumam arrancar com receio de afastar os clientes.

Mesmo assim, os postos do Corpo de Bombeiros instalados nas praias já servem de sinalização. Entre os ques estão distribuídos na orla urbana, localizados na Praia do Meio, Via Costeira e Ponta Negra, o primeiro possui um efetivo maior, com cinco a sete guarda-vidas diariamente, pois registra o maior número de ocorrências. Apesar disso, o número de mortes é baixo porque o grande ângulo de visão proporcionado pela costa facilita a localização dos banhistas.

Já na Via Costeira, o posto conta com três guarda-vidas e funciona 24 horas. A função principal é dar apoio aos postos mais próximos e fazer a cobertura da área, tendo como principal foco a praia localizada entre os hotéis Mar Sol e Blue Tree Pirâmide, por ser mais perigosa. Em Ponta Negra, a praia é mais tranquila e o efetivo se restringe a dois guarda-vidas diariamente. O trabalho começa às 8h e termina por volta das 18h, quando o movimento de banhistas fica mais tranquilo nesses locais.

Karine Brito - Leia mais na edição desta terça-feira do Diário de Natal

domingo, 6 de janeiro de 2008

AFINAL, QUEM FUNDOU NATAL?

Olavo de Medeiros Filho


A primeira versão que contou no início com a quase unanimidade dos historiadores, inclusive dos pesquisadores da terra, era a que apontava Jerônimo de Albuquerque como fundador da Cidade do Natal. Essa teoria, que tem entre seus defensores ilustres nomes, como Vicente Lemos, Tavares de Lyra e Tarcísio Medeiros, em síntese seria a seguinte: Mascarenhas Homem nomeou Jerônimo de Albuquerque comandante da fortaleza e depois seguiu para a Bahia com a finalidade de prestar contas da missão que desempenhara, por determinação do governador-geral do Brasil. Veio a seguir a pacificação dos nativos e, em seguida, a fundação da cidade. Como Jerônimo se destacou no processo e era o capitão-mor da Capitania do Rio Grande, logo fora ele o fundador de Natal. Tavares de Lyra chega até a afirmar que "é de presumir". Portanto, não se tratava de fato e, sim, de uma possibilidade.

Com o avanço das pesquisas, ficou provado que Mascarenhas Homem não designou Jerônimo de Albuquerque para exercer a função de capitão-mor do Rio Grande e, o que é mais importante, Jerônimo não se encontrava presente na data da fundação da cidade e portanto não pode ser considerado como sendo seu fundador ...

Luís Fernandes (1932) defendeu ter sido Manuel Mascarenhas Homem o fundador da Cidade do Natal. Alegava que, construindo o primeiro edifício (a fortaleza) e ainda as casas que deram origem à povoação que se formou próxima à fortaleza, seria o verdadeiro padrinho da cidade. Argumentação falha, considerando que o novo centro urbano não possuía nenhuma relação com tudo o que existia anterior à data da sua fundação.

José Moreira Brandão Castelo Branco publicou em 1950, na revista Bando, o texto "Quem fundou Natal", onde defendia a tese de ser João Rodrigues Colaço o provável fundador da capital potiguar. Posteriormente, esse estudo foi publicado na revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, em 1960, provocando uma polêmica. Câmara Cascudo chegou inclusive a apoiar a teoria defendida por Castelo Branco (1955). Pouco tempo depois mudou de opinião, acreditando que o fundador da cidade teria sido outro: "Para mim, o padrinho da Cidade do Natal foi Mamuel de Mascarenhas Homem, capitão-mor de Pernambuco, comandante da expedição colonizadora:. E argumenta: "Continuava tão interessado no cumprimento das reais determinações que fora à Paraíba, em junho desse 1599, assistiu à solenidade do contrato das pazes com os potiguares, ato possibilitador da criação da Cidade seis meses depois. Acontece que, nessa época, Mascarenhas Homem estava em Natal onde concedeu, a 9 de janeiro de 1600, data nesta fortaleza dos REIS MAGOS (...), a primeira sesmaria, à margem esquerda do rio, numa água a que chamam da Papuna, justamente ao capitão João Rodrigues Colaço, seu subalterno. Não abandonaria funções de governaça se não tivesse deveres de suma importância, como satisfazer a última parte das instruções do rei, participando da fundação da cidade. Não outra explicação para a sua presença em Natal. Tinha sido encarregado da missão e deveria cumpri-la até o final".

Essa teoria se fundamenta nos seguintes pontos:

1 - A presença de Manuel Mascarenha em dois eventos:

a) Solenidade da ratificação da paz com os nativos.

b) Data da fundação da cidade.

2 - E, ainda, os seguintes argumentos:

a) Doou a primeira sesmaria no Rio Grande do Norte a João Rodrigues Colaço, ato administrativo que provaria que estava à frente do governo da capitania.

b) Mascarenhas Homem tinha como missão expulsar os franceses, construir uma fortaleza e fundar uma cidade. Deveria executar objetivos e, assim, teria para cumprir a última missão: a fundação de Natal.

Manuel Mascarenhas Homem prestigiou os eventos citados como representante do governador-geral do Brasil e foi representando D. Francisco de Souza que doou a sesmaria a Colaço. É bom lembrar que, como comandante de uma expedição militar, ele não poderia doar sesmaria ...

Mascarenhas Homem construiu a fortaleza de madeira, lançando os fundamentos da fortaleza definitiva. Expulsou os franceses, mas não fundou a cidade do Natal porque em dezembro de 1599 já existia um governante, o capitão-mor João Rodrigues Colaço, habilitado legalmente para fundar a cidade e iniciar o processo de colonização...

Não se pode esquecer, também, que no documento da doação de capitão da fortaleza, D. Manuel Mascarenhas Homem disse claramente que "por mandato do dito Senhor vim conquistar este Rio Grande e fazer nele a fortaleza dos Reis Magos". Não afirma que veio fundar uma cidade e, no entanto, Natal já estava fundada! Chega-se a uma conclusão: Manuel Mascarenhas não fundou a Cidade do Natal. Falta examinar apenas a teoria que defende ter sido João Rodrigues Colaço o verdadeiro fundador.

Vicente Lemos foi o primeiro historiador a afirmar que João Rodrigues Colaço teria sido o homem que exerceu, pela primeira vez, a função de capitão-mor do Rio Grande, numa nota publicada na revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Vol. 6, página 138: A conquista iniciada em princípios de 1598, e na qual tanto distinguiu-se Jerônimo de Albuquerque, remete no ano seguinte, e, ciente D. Francisco de Souza, governador-geral do Brasil, de bom êxito da empresa, nomeou capitão-mor do forte a João Rodrigues Colaço, o primeiro que realmente governou a capitania".

Depois, entretanto, Vicente de Lemos muda de opinião. No seu livro "Capitães Mores e Governadores do Rio Grande do Norte", declarou que Jerônimo de Albuquerque foi o fundador da Cidade do Natal.